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Hilda Macedo: a mulher que criou a polícia feminina no Brasil

Fundadora da primeira polícia feminina do Brasil e da América Latina, coronel faleceu em 2005, mas seu legado segue vivo, inclusive na posse histórica de Glauce Cavalli

30/04/2026 | 14:23
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FOTO: Reprodução/Museu da PMSP
FOTO: Reprodução/Museu da PMSP Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


Há 71 anos, numa época em que mulheres mal tinham espaço no mundo do trabalho formal, uma pesquisadora de criminologia decidiu que não bastava defender sua tese em um congresso, era preciso colocá-la em prática. Hilda Macedo argumentou pela criação de uma polícia feminina no Brasil e se tornou sua primeira comandante.

Em 1953, Hilda Macedo, assistente da cadeira de criminologia da Escola de Polícia, defendeu a igual competência de homens e mulheres ao apresentar, no 1º Congresso Brasileiro de Medicina Legal e Criminologia, uma tese onde escreveu: "a criação da Polícia Feminina é, pois, de se aconselhar formalmente, sendo encomiástico um voto para seu imediato estabelecimento, consubstanciando uma corporação que formará harmonicamente ao lado de seus irmãos, os policiais, para o melhor cumprimento da lei e da manutenção da ordem, dentro dos ditames da compreensão, do auxílio e da bondade". 

Dois anos depois, as palavras viraram decreto. Em 12 de maio de 1955, sob o Decreto 24.548, instituiu-se, na Guarda Civil de São Paulo, o corpo de Policiamento Especial Feminino, e, na mesma data, Hilda Macedo tornou-se a primeira comandante do Policiamento Especial Feminino, criando assim a primeira Polícia Feminina do Brasil, pioneira também na América Latina.

As 13 mais corajosas de 1955

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Dentre 50 candidatas, apenas 12 foram selecionadas para um curso intensivo de 180 dias na Escola de Polícia. As 12 mulheres escolhidas e sua comandante passaram a ser chamadas de 'as 13 mais corajosas de 1955', jovens pioneiras e desbravadoras na área da segurança pública brasileira. A missão inicial era a proteção de mulheres e jovens, funções que à época se consideravam mais adequadas ao trabalho feminino, mas que abriram a porta para muito mais. 

Com a fusão entre a Guarda Civil e a Força Pública e a criação da Polícia Militar do Estado de São Paulo, Hilda Macedo tornou-se Coronel da instituição,posto máximo e símbolo definitivo de uma trajetória sem precedentes. Observatório da Imprensa

O legado que atravessa gerações

Hilda Macedo faleceu em setembro de 2005, aos 89 anos, pouco depois das comemorações do cinquentenário da Polícia Feminina. Em sua homenagem, uma unidade da Polícia Militar recebeu seu nome,  o Comando de Policiamento de Área Metropolitano 3 passou a se chamar Coronel Feminino PM Hilda de Macedo, sendo a primeira vez na história que uma unidade da PM recebia o nome de uma policial feminina. 
 
O impacto do que ela construiu se fez sentir na posse da coronel Glauce Anselmo Cavalli, nesta quarta-feira (29), como a primeira mulher a liderar a Polícia Militar do Estado de São Paulo em quase 200 anos de história, à frente de uma tropa de mais de 81 mil integrantes. Em seu discurso, ela não deixou de citar a precursora: "Ser a primeira mulher a liderar a Polícia Militar do Estado de São Paulo em quase 200 anos não é uma vitória pessoal, mas uma conquista de todas as policiais militares que percorreram um caminho pavimentado, especialmente pelas pioneiras, conhecidas como as 13 mais corajosas de 1955, dentre elas a lendária comandante Hilda Macedo."

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