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Grande ABC tem 46 casos de perturbação de sossego por dia

Excesso de barulho pode afetar saúde mental de pessoas com TEA; nesta quarta-feira é o Dia Internacional de Conscientização sobre o Ruído

29/04/2026 | 08:00
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Celso Luiz/DGABC
Celso Luiz/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


O Grande ABC registrou uma média de 46 reclamações de perturbação de sossego ou excesso de barulho em 2025. Foram 16.838 casos em vias públicas, estabelecimentos comerciais e residências, segundo informações de cinco prefeituras. Santo André não enviou os dados e Rio Grande da Serra não contabilizou as ocorrências do ano passado.

Celebrado anualmente na última quarta-feira do mês de abril, o Dia Internacional de Conscientização do Ruído traz um movimento mundial de combate aos efeitos nocivos do barulho excessivo e poluição sonora. A data foi criada pelo Center for Hearing and Communication (Centro de Audição e Comunicação, em tradução livre), dos Estados Unidos.

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No Grande ABC, São Bernardo lidera as estatísticas, com 8.596 casos em 2025. Diadema aparece na sequência com 5.049, Mauá com 1.245 e Ribeirão Pires com 24 registros. Já São Caetano afirmou que possui uma média de 37 ocorrências por semana, o que daria 1.924 no total.

Para quem emite o ruído acima do permitido e por longo tempo, como em festas noturnas e motos sem escapamento, os problemas podem passar despercebidos. Contudo, para grupos vulneráveis, como pessoas com TEA (Transtorno do Espectro Autista), o efeito sonoro pode afetar de forma negativa a saúde mental e física.

“Quando tratamos de pessoas com TEA, o excesso de barulho não é apenas um incômodo, pode, de fato, desorganizar o funcionamento do cérebro. Inclusive, a hiper ou hipossensibilidade sonora está entre os critérios diagnósticos do transtorno, podendo ocorrer em qualquer nível”, conforme explicou a pediatra e especialista em autismo, Thatyana Turassa. 

De acordo com a médica, os impactos são crises de ansiedade, irritabilidade, dificuldade de concentração e mudanças de comportamento. “Às vezes, temos casos de a pessoa sair correndo. No dia a dia, recebo bastante relatos sobre problemas com motos que passam fazendo barulho (conhecidos como cortes de giro). Há sons, principalmente na madrugada, como barulhos de festas que podem dificultar o momento de dormir”, acrescentou.

Os ruídos das motocicletas impactam diretamente a saúde mental do pequeno Tauan Reis Barbosa, 11, diagnosticado com TEA desde o primeiro ano de vida, conforme explica a mãe Érica dos Reis Barbosa, 48. 

Durante o período escolar e às vezes dentro de casa, em São Caetano, o estudante utiliza uma espécie de abafador sonoro, desde os 7 anos, a fim de diminuir o impacto do barulho. “Sabe quando aquelas motos passam e dão aquela arrancada, principalmente à noite? Fazem um barulho muito alto, que incomoda muito ele. Fogos de artifício também assustam, não só ele, mas também os pets daqui”, relatou Érica, que é cantora.

“Ele tem uma sensibilidade auditiva por conta do autismo, mas hoje comecei a acostumá-lo com certos tipos de ruídos, porque é inevitável no dia a dia, como som um pouco mais alto. Mas, lembro que na Copa do Mundo de 2022, ele teve uma crise (de ansiedade) por conta do barulho nas ruas”, comentou Érica.

A pediatra, especializada em neurociência, e membro do Hospital Israelita Albert Einstein, Anna Dominguez Bohn, afirmou que a inclusão parte da própria sociedade. “Como comunidade, precisamos entender quando meu espaço invade o outro. Mas, além disso, alternativas de controle ambiental são essenciais”, falou Anna.

MEDIDAS

Em São Bernardo, por exemplo, o vereador e ativista da causa, Julinho Fuzari (Republicanos), afirmou que a cidade segue um combate rígido. “Temos uma legislação municipal que impede a adulteração de motos e esses veículos podem ser apreendidos. De dez, sete autistas têm sensibilidade auditiva, e o excesso de barulho é perturbador. Podemos citar também o fim dos fogos de artifício com estampido”, disse.

Além disso, em abril de 2025, a cidade sancionou uma lei, de autoria do parlamentar, para alterar as sirenes escolares por músicas. “Também está tramitando na Câmara um projeto para distribuição do protetor auricular (abafador) para alunos atípicos”, concluiu Fuzari.

Em nota, as outras administrações municipais afirmaram que realizam fiscalizações e que denúncias podem ser feitas pelos moradores nos canais das GCMs em caso de barulho excessivo durante um longo período de tempo.

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