Contra barulho Objetivo é monitorar o volume da via e combater a pertubação sonora; moradores reclamam de som alto
Claudinei Plaza/DGABC

Após fase de testes, a Prefeitura de Santo André ativou de forma definitiva um decibelímetro no bairro Camilópolis para medição de barulhos excessivos no local. O item foi instalado em um poste em frente à Praça São Camilo e irá verificar o volume da rua, evitando possíveis ocorrências de perturbação do sossego. O secretário de Inovação e Tecnologia de Santo André, Diego Cabral, afirmou que a cidade contará com mais dez instalações até julho de 2026.
Ainda segundo o equipamento é monitorado por câmeras em tempo real. Assim que um som ultrapassa 70 decibéis durante um período de cinco minutos, equipes do Semasa (Serviço Municipal de Saneamento Ambiental de Santo André), GCM (Guarda Civil Municipal) e COI (Centro de Operações Integradas) são acionadas para atender à ocorrência.
“A finalidade do decibelímetro é aferir o volume das ruas. Quando há picos de som alto em via pública, provenientes de estabelecimentos comerciais, carros parados ou motos acelerando, o sistema automaticamente identifica que houve um nível de ruído alto e enviamos fiscalização”, disse Cabral.
A escolha do Camilópolis para a fase de testes considerou a infraestrutura do local. “Essa tecnologia não existe em nenhum lugar do Brasil. Somos pioneiros. Então, pensando nisso, o teste foi por questão de segurança e para cruzar informações sobre barulho de carros, caminhões, ônibus e estabelecimentos comerciais. O Camilópolis tem todos esses tipos de sons”, afirmou.
O equipamento faz parte do programa Bairro Inteligente, que também conta com fluviômetro para medir o nível de chuva, bueiro inteligente para combater o acúmulo de sujeira, conexão de internet gratuita e sensores de calor.
De acordo com o secretário, a cidade deve contar com outras dez instalações até julho deste ano. A Prefeitura realiza mapeamento das áreas com maior número de ocorrências de perturbação do sossego. Por enquanto, os bairros Jardim do Estádio, Jardim Santo André e Parque João Ramalho estão entre os locais que podem receber o equipamento.
“Ainda não estamos nessa fase, mas no futuro o decibelímetro vai conseguir identificar disparo de arma de fogo”, concluiu Diego Cabral.
O morador e comerciante há 18 anos no bairro, André Evandro de Alcântara, 53, comentou que o barulho de motos é algo recorrente nos finais de semana. “Tem dia que passam motos e bicicletas elétricas fazendo muito barulho e atrapalham os clientes a conversarem. Passa uma carreata, é um barulho insuportável. No sábado e domingo é pior”, comentou. Para ele, o novo equipamento pode ajudar nessa questão.
Já o aposentado Nelson Toti, 79, mora há três anos no local e desde então presenciou festas nas ruas durante as madrugadas de sábados. “O barulho é muito alto, principalmente de fim de semana. Tem um pessoal que faz baile e fica com música alta, desde que moro aqui é assim. Os motociclistas também incomodam. Com certeza, esse equipamento é muito bom, pode ser que os responsáveis fiquem inibidos. Mas creio que essa turma não respeita ninguém”, disse Toti. REGIÃO Somente em janeiro de 2026, o Grande ABC registrou 570 autuações durante fiscalizações de perturbação do sossego em estabelecimentos comerciais e veículos. Os dados são de cinco prefeituras. São Caetano informou que atende em média de 37 a 45 ocorrências de poluição sonora. Já Ribeirão Pires não enviou os dados.
Além de Santo André, São Bernardo também promove ações contra a perturbação do sossego por meio da Operação Dorme Bem, conduzida pela GCM. De acordo com a Prefeitura, em determinadas situações, o estabelecimento pode ser interditado por até 72 horas.
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