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Cinco condições em que o canabidiol pode ajudar, segundo especialista

Especialista destaca benefícios, limitações e cuidados no uso do CBD no tratamento de doenças neurológicas e psiquiátricas

28/04/2026 | 11:42
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O canabidiol (CBD), substância derivada da cannabis, tem sido estudado como alternativa terapêutica para diferentes condições. Entre as principais indicações está a epilepsia refratária. Estudos clínicos demonstram redução significativa das crises convulsivas, especialmente em síndromes como Dravet e Lennox-Gastaut, além de melhora na qualidade de vida dos pacientes.

Além disso, o CBD apresenta evidências no controle de sintomas da esclerose múltipla, como espasticidade, dor neuropática e distúrbios do sono. Também há resultados promissores no tratamento da dor crônica, sobretudo de origem neuropática, devido à sua ação anti-inflamatória e moduladora no sistema nervoso. Em transtornos de ansiedade e no TEA (Transtorno do Espectro Autista), os estudos também indicam benefícios.

De acordo com o médico e clínica geral, Adam de Lima Alborta, o canabidiol é uma alternativa eficaz e segura, mas o uso indiscriminado da substância pode trazer riscos, como ocorre com qualquer medicação, e deve ser feito com acompanhamento profissional. “O canabidiol atua no sistema endocanabinoide, ajudando a regular funções como dor, sono e resposta emocional. No entanto, é fundamental entender que não se trata de uma cura, mas de uma ferramenta terapêutica que deve ser utilizada com critério”, afirma.

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A seguir, cinco condições em que o canabidiol pode ajudar, de acordo com Adam de Lima Alborta:

Epilepsia refratária: É o campo com melhor sustentação científica. Em síndromes como Dravet, Lennox-Gastaut e esclerose tuberosa, o CBD já demonstrou capacidade de reduzir a frequência das crises. Na prática, entra como uma ferramenta real quando os anticonvulsivantes tradicionais não conseguem oferecer controle adequado. Não se trata de uma substituição imediata, mas, muitas vezes, permite a estabilização do quadro e a redução da carga medicamentosa ao longo do tempo. Aqui, o uso é menos controverso e mais consolidado.

Ansiedade: O CBD atua modulando a hiperatividade mental e a resposta ao estresse. Na prática, o que mais se observa é o paciente deixando de viver em estado de alerta constante. Não é sedação, mas reorganização. Isso impacta o sono, a tomada de decisão e até as relações pessoais. Em alguns casos, começa como coadjuvante, mas pode ganhar protagonismo conforme o paciente se estabiliza. Ainda assim, é fundamental diferenciar ansiedade de outros quadros psiquiátricos antes da indicação.

Dor crônica: A dor crônica raramente é apenas física. Envolve sono prejudicado, ansiedade, memória da dor e sensibilização do sistema nervoso. O CBD atua justamente nesses pontos. Quando bem indicado, pode mudar a forma como o paciente percebe e responde à dor. Em alguns casos, a associação com pequenas doses de THC potencializa significativamente o efeito analgésico, mas isso exige ajuste fino. Observa-se com frequência a redução da necessidade de analgésicos mais potentes quando o tratamento é bem conduzido.

Transtorno do espectro autista (TEA): Aqui, é essencial ter maturidade clínica. O CBD não trata o autismo, mas pode auxiliar significativamente nos sintomas associados. Irritabilidade, agitação, distúrbios do sono e crises comportamentais tendem a melhorar, impactando diretamente a qualidade de vida da criança e da família. É um dos cenários em que o tratamento precisa ser altamente individualizado e acompanhado de perto, já que pequenas variações de dose podem alterar bastante a resposta.

Insônia associada à ansiedade ou dor: O CBD não deve ser encarado como um indutor de sono clássico. Atua melhor quando o problema está na dificuldade de “desligar”. Pacientes com mente acelerada, tensão corporal ou dor noturna costumam responder bem. O principal ganho não é apenas dormir, mas acordar com mais qualidade. Em alguns casos, a associação com THC em baixa dose pode auxiliar na indução do sono, mas o equilíbrio entre relaxamento e clareza mental é o ponto central do tratamento.

Para completar, o especialista ressalta que o CBD não substitui tratamentos convencionais e não deve ser visto como uma cura. “O canabidiol entra como uma terapia complementar e auxiliar. Ele não substitui os demais tratamentos para essas condições. Antes de iniciar o uso, é importante passar por uma avaliação criteriosa para verificar se ele é indicado para cada caso”, finaliza Alborta.

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