Violência Casos aconteceram em Diadema e São Bernardo; região também teve tentativa de homicídio contra mulher trans em Santo André
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Em menos de uma semana, quatro pessoas foram assassinadas no Grande ABC. Os casos ocorreram em Diadema e São Bernardo e estão sendo apurados pela Polícia Civil. Além disso, em Santo André, foram registradas duas tentativas de homicídio, uma contra uma mulher trans e outra contra um porteiro.
O caso mais recente ocorreu na madrugada desta segunda-feira (27), no bairro Jardim Marajá, em Diadema. Segundo a SSP (Secretaria da Segurança Pública), Adeilson Santana Dias, 29 anos, foi baleado por um homem que fugiu em uma motocicleta. Policiais militares foram acionados para atender à ocorrência e encontraram a vítima ferida. Dias foi socorrido ao Hospital Municipal, mas não resistiu.
O caso foi registrado no 3º DP (Distrito Policial) do município. Exames foram requisitados ao IML (Instituto Médico Legal) e diligências estão em andamento para identificar o autor e esclarecer a motivação do crime.
Um dia antes, no domingo (26), um duplo homicídio foi registrado no bairro Serraria, também em Diadema. Maycon Muniz Xavier da Conceição, 30, e Marcos da Conceição, 45, foram mortos a tiros em frente a um bar na Avenida Lico Maia.
Imagens de câmeras de segurança mostram o momento em que um suspeito, usando capacete, se aproxima das vítimas e dispara à queima-roupa, sem chance de reação, e eles caem no chão. Em seguida, o atirador foge. Segundo a investigação, dois suspeitos estavam em uma motocicleta Honda PCX prata.
Em São Bernardo, outro caso aconteceu no dia 21, no bairro Ferrazópolis. Weverton Bento Magalhães, 25, morreu após ser esfaqueado dentro de casa pela esposa, Mariana Gabriela de Almeida Magalhães, 26. A mulher afirmou em depoimento que agiu em legítima defesa após sofrer agressões durante uma discussão. Segundo o registro policial, ela apresentava lesões no rosto e relatou um histórico de violência doméstica no relacionamento.
A Polícia Civil, no entanto, entendeu que ainda não há elementos suficientes para reconhecer a legítima defesa e realizou o indiciamento.
Além dos assassinatos, a região também registrou duas tentativas de homicídio na última sexta-feira (24), em Santo André. Robertha Suzana de Oliveira Félix, mulher trans, 23, foi baleada na cabeça, à queima-roupa, no bairro Campestre. Além de Robertha, o porteiro Aparecido Donizeti Fernandes, 69, também foi atingido.
Segundo a investigação, o crime ocorreu após a vítima ser acusada de furtar o celular do suspeito, Mario Augusto Annunziata, 46. O acusado foi preso e autuado por dupla tentativa de homicídio qualificado por motivo fútil.
Ainda em abril, no dia 4, Maria Ferreira dos Santos, 45, foi morta pelo vizinho, Luciano Santos de Oliveira, 45, após reclamar de excesso de barulho na Rua Mar do Norte, no bairro Eldorado, em Diadema. O acusado está preso e confessou ter esfaqueado a vítima no abdômen com um canivete.
FALTA DE TOLERÂNCIA
Para o professor de Direito Penal da Universidade Metodista de São Paulo, Fernando Shimidt de Paula, os casos refletem diferentes contextos de violência, mas têm em comum fatores como intolerância, conflitos interpessoais e falta de controle emocional.
“São tragédias que nós, como sociedade civil organizada, temos que lamentar. O crime de homicídio é previsto no Código Penal e garante a vida humana. Geralmente acontece por intolerância, discriminação ou questões pessoais íntimas, como vingança e sentimentos ruins”, afirmou.
O professor também ressalta a importância de ações preventivas para reduzir episódios de violência. “O importante é trabalhar com educação, orientação e prevenção, para que as pessoas aprendam a conviver com tolerância e segurança”, completou.
Dados da SSP mostram que o Grande ABC registrou 19 homicídios dolosos (quando há intenção de matar) e 28 tentativas de homicídio no primeiro bimestre de 2026. No mesmo período do ano passado, foram 26 homicídios e 46 tentativas.
A SSP esclarece que os crimes contra a vida são tratados como prioridade permanente e analisados pelo programa SP Vida, que orienta estratégias e políticas públicas voltadas à prevenção desses delitos. A Pasta ressalta que “monitora continuamente os indicadores criminais em todo o Estado e intensifica ações integradas de prevenção e repressão à criminalidade.”
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