Campestre Funcionário de hotel também foi atingido nas pernas; suspeito, identificado como Mário Augusto Annunziata, foi preso na Capital
FOTO: Reprodução

Robertha Suzana de Oliveira Félix, mulher trans de 23 anos, foi baleada na cabeça, à queima-roupa, na madrugada desta sexta-feira (24), no bairro Campestre, em Santo André. O crime teria sido motivado após a vítima ser acusada de furtar o celular do suspeito dos disparos, Mario Augusto Annunziata, 46, que possui registro de CAC (Colecionador, Atirador e Caçador). Ele foi preso em flagrante poucas horas depois, durante uma operação do 4º Distrito Policial de Santo André, com apoio de equipes do GOE (Grupo de Operações Especiais).
Segundo o BO (Boletim de Ocorrência), o fato ocorreu por volta das 5h30 na Rua Marina. Além de Robertha, o porteiro Aparecido Donizeti Fernandes, 69, também foi atingido pelos disparos. Ele recebeu atendimento médico, prestou depoimento à polícia e teve alta ainda nesta sexta-feira. Robertha foi socorrida e encaminhada ao CHM (Centro Hospitalar Municipal), onde permanece em estado crítico. De acordo com informações da polícia, ela passou por cirurgias bucomaxilofacial e neurológica.
O crime foi registrado por câmeras de segurança de residências da via. Nas imagens, é possível ver um homem de camiseta escura e bermuda saindo do veículo e se aproximando da vítima, que é baleada e cai sentada na entrada de um estabelecimento. Imagens de monitoramento do COI (Centro de Operações Integradas) de Santo André ajudaram a polícia a identificar a placa do Fiat Toro utilizado na ação criminosa. Os policiais seguiram até a empresa da família do acusado, onde conseguiram realizar a prisão ainda pela manhã.
De acordo com a investigação, uma testemunha presencial reconheceu Mario Augusto Annunziata como autor dos disparos. A testemunha também declarou que o suspeito acusava Roberta de ter furtado seu celular. No depoimento prestado à polícia, no entanto, outra mulher trans teria cometido o furto e deixado o local momentos antes.
A delegada Nathalie Murcia dos Santos, responsável pelo caso, reforçou que essa versão ainda será aprofundada durante as investigações. “Independentemente de ela ter sido vítima do homicídio tentado, de um crime grave, caso ela tenha perpetrado essa subtração, ela responderá pelo furto como autora. Contudo, a testemunha presencial afirmou que não foi ela a autora do furto.”
Ainda conforme o relato da testemunha, o suspeito desceu do veículo aparentemente alterado, possivelmente sob efeito de álcool ou drogas, e atirou deliberadamente na direção da cabeça da vítima. O porteiro do estabelecimento teria sido baleado em seguida enquanto tentava entender o que acontecia.
O suspeito permaneceu em silêncio durante o interrogatório formal realizado na presença do advogado. Annunziata foi autuado por dupla tentativa de homicídio qualificado por motivo fútil. Após exame de corpo de delito, o homem será encaminhado para audiência de custódia presencial no Fórum da Barra Funda, na Capital, neste sábado (25).
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