Em meio às incertezas globais Parceria com países da América Latina ajuda a região reduzir os danos causados pelo tarifaço
FOTO: Tânia Rego/Agência Brasil

As exportações do Grande ABC chegaram a US$ 1,115 bilhão no primeiro trimestre de 2026, queda de 15,7% frente ao mesmo período do ano passado. Já as importações somaram US$ 1,209 bilhão, o que indica recuo de 14% em relação à mesma época de 2025. As informações são do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços.
Em meio às incertezas globais causadas pelas tarifas aplicadas pelos Estados Unidos a partir de maio de 2025 e derrubadas em fevereiro de 2026 pela Suprema Corte norte-americana, a região conseguiu fortalecer parceria com outros países da América Latina e Europa para contornar os prejuízos. Na lista de exportações, os principais países que as sete cidades mantiveram relações foram Estados Unidos, Argentina e México. Já nas importações, apareceram Estados Unidos, China e Alemanha.
O economista Jorge Ferreira, professor de administração da ESPM (Escola Superior de Propaganda e Marketing), aponta que a política tarifária e a incerteza regulatória dos Estados Unidos pesaram no fluxo comercial, mas o Grande ABC não depende apenas das produções e compras do território norte-americano.
“O tarifaço deixou tudo mais sensível. O Ibre/FGV (Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas) mostra que as exportações para os EUA caíram quase 19% na comparação com o primeiro trimestre de 2025 no Brasil. Ainda sofremos com tarifas sobre automóveis e autopeças e aço e alumínio. A região, no entanto, consegue manter outros mercados como Argentina, México, Chile e Peru. Esses canais permitem amenizar riscos e preservar produções.”
De acordo com Ferreira, essas opções servem para manter presença nas cadeias globais em momentos que o acesso aos EUA fica incerto. “A região exporta principalmente nos setores de autopeças, veículos, máquinas, borracha, plástico e outros componentes industriais. A Argentina tem proximidade geográfica e integração histórica, ainda mais por conta do Mercosul. O México também é estratégico por ter um mercado industrial grande, com forte presença automotiva e conexão com produtores norte-americanos.”
Entre janeiro e março deste ano, Mauá teve a maior queda, de 25%, nas exportações e leve aumento nas importações na comparação com 2025. Segundo o Ciesp (Centro das Indústrias do Estado de São Paulo) Santo André, que também engloba a cidade, dois setores motivam os resultados. “Na ótica das exportações, foram registradas quedas em produtos químicos (-26%), setor responsável por um terço das vendas externas do município, e de sabões (-35%), que representou 11% das exportações”, destaca a entidade, em nota.
Nas importações, a alta resultou da redistribuição das aquisições externas. “As quedas de 36% e 15% nas importações de plásticos e produtos químicos orgânicos, respectivamente, foram compensadas pelo crescimento em 55% das compras de outros produtos de indústrias químicas neste período”, completou o Ciesp.
Setor automotivo ainda é protagonista
O setor automotivo, com sua cadeia de fornecedores, e os produtores de derivados do plástico e de borrachas foram os principais destaques da balança comercial do Grande ABC no primeiro trimestre de 2026. Os dados são do Comex Stat, portal com estatísticas do governo federal.
A regional do Ciesp Santo André, que engloba também Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra, aponta que os produtos mais exportados foram borracha e suas obras (30,1%), armas e munições (17,9%) e plásticos e suas obras (12,8%). As importações se concentraram em plásticos e suas obras (15,4%), borracha e suas obras (12,7%) e máquinas, aparelhos e instrumentos mecânicos (12,6%).
Apesar do pequeno tamanho territorial, Rio Grande da Serra teve exportações que somaram US$ 49.948 para países como Uzebesquistão e Paraguai. Os produtos nesta lista foram sal, enxofre, terras e pedras, gesso, cal e cimento. Nas importações, que somaram US$ 57.267, as informações registram atividades com China e Itália, nos setores de plásticos e suas obras, obras de ferro fundido e instrumentos e aparelhos de óptica.
Em São Bernardo, os destaques de exportados foram veículos automóveis, tratores (63%), máquinas, aparelhos e instrumentos mecânicos (9,1%) e cobre e suas obras (9%). Por outro lado, as importações ficaram concentradas em veículos automóveis, tratores (30,4%), máquinas, aparelhos e instrumentos mecânicos (23,5%) e máquinas, aparelhos e materiais elétricos (10%).
Já em São Caetano, as exportações ficaram a cargo de veículos automóveis, tratores (79,5%), ferro fundido, ferro e aço (9,3%) e máquinas, aparelhos e instrumentos mecânicos (2,8%). Enquanto isso, instrumentos e aparelhos de óptica (25,6%), máquinas, aparelhos e materiais elétricos (20,3%) e veículos automóveis, tratores (17,6%) chamaram atenção nas importações.
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