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"Não foi a primeira vez", diz corredor do Grande ABC em Maratona de Boston

Robson Gonçalves de Oliveira interrompeu a própria corrida para socorrer outro competidor, que passava mal logo na linha de chegada

Ryan Leme
Especial para o Diário
22/04/2026 | 19:39
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FOTO: Reprodução/Instagram Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


 O gesto de solidariedade de Robson Gonçalves de Oliveira, morador do Bairro dos Casa, em São Bernardo, marcou a reta final da Maratona de Boston, nos Estados Unidos, e ganhou repercussão mundial após a prova disputada na segunda-feira (20). A poucos metros da chegada, quando ainda buscava melhorar sua marca, o brasileiro interrompeu a própria corida para ajudar o norte-americano Ajay Haridasse, corredor que havia entrado em colapso, com auxílio do norte-irlandês Aaron Beggs, outro participante.

Operador de máquinas de 36 anos, Oliveira fazia contas para tentar superar o tempo de 2h43min46s. A estratégia mudou ao entrar na reta final. “Eu estava dando o máximo para bater meu tempo, era minha meta, mas vi o atleta totalmente em colapso, sem conseguir ficar em pé”, relatou.

Sem condições de socorrer sozinho, o são-bernardense contou que aguardou por apoio. “Eu pedi a Deus disposição para ajudar, mas sabia que não teria força sozinho. Quando o britânico parou, fui na sequência, porque com duas pessoas ficaria mais fácil”, disse. Ao lado de Beggs, ele ajudou a sustentar o atleta até a linha de chegada.

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A cena, registrada por espectadores, viralizou nas redes sociais e repercutiu em veículos internacionais. Para Oliveira, a decisão foi natural. “Nenhum de nós ia conseguir fazer nada sozinho. A gente precisava um do outro”, afirmou. Após cruzar a linha, o brasileiro também desabou, exausto. Ele passou por avaliação médica, que descartou problemas.

Corredor desde 2016, Robson iniciou nas maratonas em 2019 e já participou de dez ao total, alcançando índices que o levaram a Boston, prova considerada a mais tradicional do mundo e que exige qualificação prévia. Ele já havia participado da edição de 2025 e voltou em 2026 com o objetivo de baixar o próprio recorde.

A ajuda prestada na prova, porém, não foi inédita. “Não foi a primeira vez e acredito que não será a última. É um esporte muito desgastante e essas situações são normais”, disse. Na Maratona do Rio, em 2025, ele já havia auxiliado um amigo na reta final em situação semelhante.

Mesmo com a repercussão, o atleta minimiza a ação. “Eu jamais faria isso por engajamento ou seguidores. Foi algo genuíno. Espero que as pessoas entendam o espírito do esporte, não é só bater recorde, mas também estender a mão para quem precisa”, afirmou.

De volta à São Bernardo, Oliveira retoma a rotina dividida entre trabalho em turnos variados na indústria metalúrgica, treinos em horários alternativos e a convivência com a família, que inclui a esposa Mariana Clotilde e três filhos. Após duas semanas de descanso, ele planeja a próxima maratona, em julho, e tem como principal objetivo novas participações em Boston.




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