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Voz feminina ainda é rara

22/04/2026 | 09:07
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FOTO: DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


A disputa eleitoral que se aproxima expõe mais uma vez um dado recorrente da política no Grande ABC: a baixa presença feminina entre os nomes apresentados pelos partidos. Entre dezenas de pré-candidaturas já colocadas para deputado estadual e federal no pleito de outubro, apenas uma parcela reduzida pertence a mulheres, 17,5%, proporção inferior à registrada no último pleito, de 25,6%. O quadro deixa muito claro que, apesar de avanços institucionais ocorridos nas últimas décadas, a política segue marcada por predominância masculina, cenário que se reproduz não apenas nas sete cidades, mas em todo o Brasil, e reforça um padrão histórico de participação desigual. É preciso mudar.

É preciso dizer que não se trata de assunto de somenos importância. Muito pelo contrário. Essa configuração traz consequências para a qualidade da representação democrática. Quando o acesso às disputas eleitorais permanece concentrado em um grupo, visões e experiências presentes na sociedade deixam de ocupar espaço proporcional no debate público. A presença feminina em parlamentos amplia o repertório de temas discutidos, fortalece a pluralidade de perspectivas e contribui para a formulação de políticas mais sensíveis às realidades diversas da população. A ausência relativa de mulheres, portanto, limita a capacidade das instituições de refletir de maneira ampla as demandas sociais.

O que fazer? Cabe às siglas assumir responsabilidade mais ativa na construção de caminhos que ampliem a participação feminina. A proximidade das convenções ainda permite mudanças nas chapas, e as direções partidárias dispõem de instrumentos para incentivar novas lideranças a disputar mandatos. Investir na formação política, garantir condições de campanha e promover ambientes internos mais abertos são medidas que podem contribuir para alterar gradualmente esse cenário. Uma democracia representativa depende da presença efetiva de diferentes segmentos da sociedade também nas urnas. O número de candidatas pode aumentar até a eleição – e o Diário espera que isso aconteça! 

DGABC



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