Artigo Se existe uma instituição profundamente complexa, é a universidade. Essa complexidade decorre da amplitude de sua missão e da multiplicidade de funções que exerce na sociedade. Não por acaso, há um bom tempo ela recebe, internacionalmente, a denominação de “multiuniversidade”, termo que revela seu alcance, sua transversalidade e a diversidade de saberes que abriga. A verdade é que a universidade sempre esteve submetida a transformações significativas, mas foi na última década que assistimos ao ciclo mais acelerado dessas mudanças.
Há 10 anos, vivíamos num mundo mais estável, previsível e lento. Nas salas de aula, predominava o modelo transmissivo: o professor era a fonte única do conhecimento e o estudante, um receptor passivo. A revolução digital e a ascensão da nova economia alteraram profundamente tal cenário.
A chamada Revolução 4.0 não poupou setores e o grande ativo contemporâneo se tornou o saber. Nesse novo contexto, a universidade assumiu um papel central como produtora de inovação, transbordando suas fronteiras e preparando pessoas para atuar em escala global.
Diante desse ambiente em transformação, mostrou-se imprescindível redefinir os rumos do Ensino Superior. Isso implica em reconhecer o estudante como protagonista da própria formação e compreender o professor como mediador, articulador e inspirador desse processo. A sala de aula deixa de ser um espaço físico restrito para ser um ecossistema de possibilidades: laboratórios, ambientes digitais, comunidades, empresas, o próprio território.
Uma instituição que mantém um estudante passivo, preso a hierarquias rígidas e currículos estáticos, prepara profissionais para um mundo que já não existe. Por essa razão, tornou-se indispensável romper com o modelo do aluno ouvinte. A formação por competências emergiu como caminho capaz de preparar jovens para desafios que ainda não conhecemos. Ela exige atualização constante de currículos, metodologias e docentes. Requer o desenvolvimento de habilidades cognitivas diversas, que variam conforme a área de conhecimento, mas que convergem no propósito de formar pessoas capazes de interpretar, criar, colaborar, inovar e liderar.
Hoje, diante das incertezas de um mundo em constante reinvenção, reafirma-se uma verdade fundamental: não temos como prever o futuro. Mas podemos, sim, preparar-nos para enfrentá-lo. O papel da universidade é exatamente esse, o de formar pessoas capazes de navegar pelo desconhecido, transformar desafios em oportunidades e contribuir para um mundo em permanente construção. O futuro é incerto, mas nossa missão está mais clara do que nunca.
Waldemiro Gremski é reitor emérito da Pontifícia Universidade Católica do Paraná.
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