Editorial Os arquivos do Diário são implacáveis com autoridades que recorrem a promessas de ocasião quando questionadas sobre demandas da região. Faz exatamente um ano que este jornal estampou em sua manchete principal o compromisso do DER-SP (Departamento de Estradas de Rodagem de São Paulo) de lançar o edital para a contratação das obras de duplicação da Rodovia Índio Tibiriçá, que liga o Grande ABC ao Alto Tietê, no segundo semestre de 2025. Meses depois, durante visita à Redação, o próprio governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) chegou a apontar outubro como a data provável. Passados 12 meses, entretanto, nenhuma licitação foi publicada nem houve explicação consistente sobre a demora.
Enquanto a ordem para a execução do projeto não é emitida, motoristas que utilizam a via enfrentam diariamente uma pista simples com tráfego elevado, cenário que combina fluxo intenso, ultrapassagens arriscadas e travessias perigosas. Dados recentes mostram 267 ocorrências e 15 mortes entre 2024 e 2025 apenas no trecho da Índio Tibiriçá que corta o Grande ABC, informação que revela crescimento das vítimas fatais mesmo com redução de sinistros. Tal quadro ajuda a explicar por que a via ganhou a alcunha de “rodovia da morte”, expressão repetida por usuários que convivem com perigos constantes. Os números trágicos, porém, parecem ser insuficientes para sensibilizar as autoridades paulistas sobre a necessidade do investimento.
A duplicação mencionada ainda na época da entrega do Rodoanel Mário Covas, em 2011, tornou-se símbolo de espera prolongada. Basta lembrar que a promessa original foi feita pelo então governador Geraldo Alckmin (PSB), hoje vice-presidente da República. O atraso no atendimento deste pleito importante das sete cidades é inexplicável. Não se trata apenas de mobilidade, mas de segurança pública e planejamento regional. O usuário que se arrisca diariamente neste corredor entre cidades do Grande ABC e do Alto Tietê tem direito a respostas objetivas. Cabe ao Estado retomar imediatamente o cronograma, publicar o edital e iniciar intervenções capazes de reduzir riscos em um trajeto marcado por mortes evitáveis. Chega de enrolação!
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