Grande ABC Médico assume a presidência do sindicato no lugar de José Roberto Murisset, que morreu em 22 de março, vítima de infarto
FOTO: Divulgação

O médico Leandro Altrão Martines assume a presidência do Sindmed (Sindicato dos Médicos) do Grande ABC, em substituição a José Roberto Murisset, que morreu em 22 de março, vítima de infarto. Altrão, que ocupava o cargo de secretário-geral da entidade, foi escolhido para a presidência durante assembleia realizada no último dia 12 e aguarda os trâmites burocráticos para assumir oficialmente o posto.
O médico afirmou que um de seus principais desafios à frente do Sindmed será o combate à precarização do trabalho. “É o momento mais desafiador da classe médica, com o aumento e a oferta absurda de novos médicos entrando no mercado de trabalho, ao mesmo tempo em que há uma precarização crescente. Talvez seja hoje a profissão mais precarizada que existe. Tudo pejotizado, sem direitos trabalhistas. Isso cria uma equação perfeita para não haver reajuste de salários e, pelo contrário, em alguns locais do Brasil há até redução dos valores dos plantões médicos”, destacou.
Segundo Altrão, outras metas serão mobilizar a categoria para ampliar a adesão dos profissionais à entidade, bem como acionar o CRM (Conselho Regional de Medicina) a fim de responsabilizar empresas que dão calote em médicos, inclusive com risco de perda de registro.
O médico acrescentou que a intenção é intensificar a fiscalização sobre essas instituições. “Vamos questionar isso também junto ao Cremesp (Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo) para começar a enquadrar essas empresas e responsabilizar seus dirigentes, que na maioria das vezes são médicos”, pontuou.
O especialista destacou também que a gestão terá atenção especial à rede privada, frequentemente menos debatida nas discussões da categoria. “Muita gente se preocupa mais com o setor público, mas a rede privada tem uma exploração absurda dos médicos. Você vê grandes redes batendo recordes de lucro, famílias donas dessas instituições figurando entre as mais ricas do País, enquanto os honorários médicos não são reajustados há muito tempo”, afirmou.
De acordo com Altrão, as condições de trabalho também são preocupantes. “Há uma cobrança por produtividade extrema, com atendimentos de 10 minutos, plantões de 12 horas com apenas 40 minutos de intervalo para almoço. É um cenário em que o profissional chega a atender mais de 100 pacientes em um único plantão.”
O novo presidente, que vai dar continuidade ao trabalho de Murisset, reafirmou que uma das primeiras frentes de atuação do sindicato será discutir essas condições junto aos conselhos profissionais. Também criticou a falta de valorização dentro da gestão hospitalar. “Na minha visão, não faz sentido um médico ser diretor de pronto-socorro ou de hospital e, ao mesmo tempo, permitir que colegas trabalhem por longos períodos sem reajuste, sem condições adequadas e sob essa carga excessiva. Isso precisa ser revisto com urgência”, disse.
LEIA TAMBÉM
A cada dez moradores, nove pedem ampliação das atividades culturais no Grande ABC
Atenção! Os comentários do site são via Facebook. Lembre-se de que o comentário é de inteira responsabilidade do autor e não expressa a opinião do jornal. Comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros poderão ser denunciados pelos usuários e sua conta poderá ser banida.