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Ações para mães atípicas e em vulnerabilidade injetam R$ 5,8 mi em São Caetano e Diadema

Com bolsa mensal e jornada reduzida, iniciativas ampliam renda de mulheres que enfrentam dificuldades para se manter no mercado

João Vittor Espindula
Especial para o Diário
19/04/2026 | 10:19
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Elisabeth, Beatriz e Fernanda conseguem ganhar renda e também zelar pelo cuidado com filhos FOTO: André Henriques/DGABC
Elisabeth, Beatriz e Fernanda conseguem ganhar renda e também zelar pelo cuidado com filhos FOTO:  André Henriques/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


Os programas Mães Protetoras, em Diadema, e Mães Acolhedoras, em São Caetano, devem injetar juntos ao menos R$ 5,8 milhões na economia do Grande ABC em 2026. Com foco em mães de crianças atípicas, as iniciativas garantem renda, ampliam o consumo local e funcionam como alternativa para mulheres que enfrentam dificuldades para se manter no mercado formal.

O programa Mães Protetoras é voltado para quem tem filhos com deficiências ou neurodivergências, como TEA (Transtorno do Espectro Autista). As selecionadas acompanham as crianças no transporte escolar, com jornada reduzida e bolsa-auxílio mensal, o que permite equilibrar trabalho e cuidados domésticos.

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Já o Mães Acolhedoras, de São Caetano, tem formato semelhante, mas com atuação dentro das escolas municipais, onde as participantes dão suporte no acolhimento e na rotina dos alunos, sem função pedagógica, também com carga horária flexível e remuneração. A prioridade é a seleção de mães em situação de vulnerabilidade.

Em Diadema, o programa, que foi criado no segundo semestre de 2025, teve investimento inicial de R$ 424,3 mil e já prevê orçamento de R$ 1,4 milhão em 2026. Apenas no primeiro trimestre deste ano, o impacto financeiro foi de R$ 338,2 mil. Atualmente, 88 mulheres participam da iniciativa, com previsão de ampliação em mais 107 vagas. As mães recebem R$ 1.138 mensais, além de vale-transporte e cesta básica de R$ 82. 

Já em São Caetano, o programa opera em escala maior. A previsão orçamentária para 2026 é de R$ 4,45 milhões. Apenas nos três primeiros meses do ano, foram R$ 1,21 milhão injetados na economia local. No momento, 250 mulheres são atendidas. Ao longo de 2025, 90 participantes deixaram o programa após ingressarem no mercado de trabalho. O valor repassado às participantes é de R$ 1.621, equivalente a um salário mínimo. A jornada reduzida, de cinco horas por dia, é um dos principais atrativos.

Esse formato responde a uma barreira estrutural: a dificuldade de conciliar trabalho com o cuidado de filhos atípicos. “Nenhum emprego teria essa flexibilidade de horário”, relata Beatriz Rodrigues, 25 anos, moradora do Centro de Diadema, mãe de uma criança autista. “Se não fosse o programa, eu estaria perdida.”

A fala se repete entre as demais beneficiárias. Fora do mercado após o diagnóstico do filho, muitas encontram no programa a única possibilidade de renda. “A partir do momento que a gente pega o laudo, muitas portas se fecham”, afirma Fernanda da Silva Fialho, 35, do bairro Taboão.

A diademense Elisabeth Falcão Slesaczek, 42, do bairro Canhema, comenta que a bolsa foi determinante para entrar no programa, após um período fora do mercado de trabalho. Apesar disso, destaca que o benefício não é sua única fonte de renda, já que também recebe o BPC (Benefício de Prestação Continuada) do filho. “Se fosse um emprego com carga 6x1 (seis dias de trabalho e um de descanso), complicaria muito”, declara.

De acordo com o secretário de Desenvolvimento Econômico e Trabalho de Diadema, Airton Silva, o Programa Mães Protetoras representa um avanço significativo na forma como a cidade enxerga o desenvolvimento ao colocar as pessoas no centro das políticas públicas. “Ao apoiar essas mães, não garantimos apenas proteção social e dignidade, mas também criamos condições concretas para que elas possam se qualificar, empreender e gerar renda. Isso tem um efeito direto na economia da cidade, porque fortalece o núcleo familiar, amplia a participação produtiva e impulsiona o desenvolvimento local de forma sustentável. Investir nessas mulheres é investir no presente e, principalmente, no futuro de Diadema.” 

AUTONOMIA

Em São Caetano, a lógica se repete. Mãe solo, Daniela Fernandes Bonita, 38, do bairro Oswaldo Cruz, diz que o programa foi determinante para manter o sustento da casa. “Eu consigo dar conta das terapias da minha filha e ainda ter uma renda. Sem isso, teria que escolher entre trabalhar ou cuidar dela.”

Daniela destaca que a possibilidade de atuar na escola da filha trouxe impacto direto no desenvolvimento da criança. Inicialmente resistente à ideia, ela se surpreendeu com a experiência. “Fui com o coração na mão por achar que poderia atrapalhar a rotina, mas está dando super certo.”

Segundo ela, a presença no ambiente escolar trouxe mais segurança para a filha, que é autista. “Ela ficou mais consciente e segura na escola”, relata. Para Daniela, além da renda, o programa contribui para o bem-estar e evolução das crianças atendidas.

Mais informações nos sites portal.diadema.sp.gov.br/sagep/programa-maes-protetoras/ e educacao.saocaetanodosul.sp.gov.br.

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