Luto Ícone, ‘Mão Santa’ foi vítima de parada cardiorrespiratória na Grande São Paulo; velório será familiar
Reprodução/Facebook

O basquete brasileiro se despediu ontem de um dos seus maiores nomes com a morte do potiguar Oscar Schmidt, aos 68 anos. O ex-ala-armador sofreu parada cardiorrespiratória em casa e foi encaminhado ao Hospital e Maternidade Municipal Santa Ana, em Santana do Parnaíba, mas não resistiu. Maior pontuador da história dos Jogos Olímpicos, com 1.093, ele deixou a esposa, Maria Cristina, e dois filhos. A despedida foi restrita aos familiares e amigos pessoais, com cerimônia de cremação sem acesso ao público.
Em nota, o hospital informou que o ex-jogador já chegou à unidade em parada cardiorrespiratória, após atendimento do Samu. A família destacou a luta de Schmidt contra tumor cerebral. “Ao longo de mais de 15 anos, Oscar enfrentou com coragem, dignidade e resiliência a sua batalha”, diz trecho do comunicado. Ele interrompeu o tratamento contra a doença em 2022, alegando o desejo de dedicar mais tempo à família.
Referência do basquete mundial, Oscar construiu carreira marcada por protagonismo com a camisa da Seleção Brasileira, pela qual disputou cinco Olimpíadas. Sem medalhas nos Jogos, liderou o Brasil em campanhas históricas, como o título dos Jogos Pan-Americanos de 1987, nos Estados Unidos. Também conquistou três Sul-Americanos (1977, 1983 e 1985), duas Copas América (1984 e 1988), três bronzes – Mundial das Filipinas-1978, Pan de San Juan-1979 e Copa América do México-1989 –. além de somar passagens vitoriosas por clubes no Brasil, como Palmeiras, Sírio e Corinthians, e também na Europa, com destaque aos italianos JuveCaserta Basket e Pavia.
Mesmo sem atuar na NBA (Liga de Basquete Norte-Americana) – o maior torneio do mundo na modalidade –, decisão tomada para seguir defendendo a Seleção Brasileira, o ‘Mão Santa’ ganhou reconhecimento internacional e integrou os principais halls da fama do basquete. Em 2013, foi eternizado no Hall da Fama do basquete, em Springfield, em Massachusetts, nos Estados Unidos, mesmo sem sequer ter jogado nos Estados Unidos. Neste mês, havia sido incluído no Hall da Fama do COB (Comitê Olímpico do Brasil).
Em nota, a entidade ressaltou a dimensão do legado de Oscar. “Na história do esporte brasileiro, há nomes que atravessam gerações com a mesma força que resistem ao tempo. Oscar Schmidt é um desses nomes”, diz o comunicado. “Mais do que um jogador de basquete, mais do que detentor de recordes, Oscar se tornou um símbolo – de disciplina, de entrega, de amor ao esporte”, complementa.
Com o adeus a Oscar, o esporte da bola laranja somou no último ano e meio a perda de cinco dos maiores ídolos nacionais no basquete, casos também de Amaury Passos, Wlamir Marques, Claudio Mortari e Marquinhos Abdalla. VIDA POLÍTICA Após a aposentadoria, também tentou carreira política. Em 1997, assumiu a Secretaria de Esportes, Lazer e Recreação de São Paulo, na gestão de então prefeito Celso Pitta. No ano seguinte, disputou vaga no Senado por São Paulo. Teve mais de 5,7 milhões de votos, mas foi derrotado por Eduardo Suplicy. Depois da eleição, não voltou a se arriscar na carreira e direcionou a atuação para palestras e projetos ligados ao esporte.
Já fora das quadras, Oscar veio ao Grande ABC. Em 2007, participou da comemoração do terceiro ano do Projeto Passe de Mágica, em Diadema, iniciativa coordenada pela ex-jogadora Magic Paula. No mesmo ano, retornou à cidade como palestrante na inauguração de uma fábrica Mappel.
NA REGIÃO A morte de Oscar Schmidt repercutiu entre nomes históricos do basquete ligados ao Grande ABC e também entre autoridades. Ex-jogadoras, dirigentes e representantes políticos destacaram o impacto do ex-ala-armador na modalidade e sua influência dentro e fora das quadras.
Assistente técnica e ícone da AD Santo André, Vivian Lopes descreveu a perda como imensurável para o esporte. “Oscar foi sempre um ídolo para o esporte nacional, mundial, uma referência de determinação e superação, também na luta contra o câncer. A notícia foi um baque para mim, é uma perda irreparável”, afirmou.
Diretora-técnica da equipe andreense e com mais de 50 anos de casa, Arilza Coraça reforçou o peso do nome de Oscar na história da modalidade. “O Oscar é uma lenda. Você fala de Oscar Schmidt, todo mundo sabe quem é. É uma perda, uma tristeza para a gente que é do esporte”, disse. Segundo ela, a trajetória do ex-atleta segue como referência para novas gerações. Entre as maiores jogadoras do País e com passagem pelo São Caetano entre 1985 e 1987, Hortência Marcari ressaltou a relação de amizade e a influência do astro. “Infelizmente, nós perdemos um grande ídolo, que foi referência para minha geração. Tenho muito orgulho de ter sido sua amiga”, declarou. Já Janeth Arcain, que também atuou na região, resumiu o sentimento de perda. “Oscar sempre foi minha grande inspiração no basquete masculino. Estou com o coração dilacerado”, afirmou
Fã assumido de basquete e presidente do Consórcio Intermunicipal do Grande ABC, Guto Volpi (PL) lamentou a morte do ex-jogador. “Hoje (ontem), o Brasil perde um ícone. Oscar Schmidt foi um dos maiores nomes da história do nosso esporte. Sua trajetória brilhante dentro das quadras inspirou gerações em todo o País”, afirmou.
O presidente Lula (PT) destacou a importância de Oscar ao esporte nacional, ao dizer, em nota, que o ex-atleta foi “o maior ídolo da história do basquete brasileiro” e ressaltou a trajetória marcada por “obstinação, talento e amor à camisa da Seleção”. Já o vice-presidente Geraldo Alckmin decretou luto oficial de três dias no País. (colaborou Fábio Júnior)
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