Alerta No mês passado foram 30 mortes, 43% acima do mesmo período de 2025; motos lideram
FOTO: Claudinei Plaza/DGABC

O Infosiga, sistema operado pelo Detran-SP (Departamento Estadual de Trânsito de São Paulo) que reúne estatísticas de acidentes de trânsito desde 2015, aponta que março de 2026 foi o mês mais letal da série histórica no Grande ABC. Ao todo, foram registradas 30 mortes, um número 43% superior ao mesmo período de 2025, quando ocorreram 21 óbitos.
Antes de alcançar o índice registrado em 2026, o recorde de mortes para o mês havia sido em 2023, com 26 óbitos. Nos demais anos da série, os registros de vítimas fatais foram: 2015 (21), 2016 (9), 2017 (15), 2018 (10), 2019 (15), 2020 (16), 2021 (16), 2022 (19) e 2024 (13).
Os dados também revelam o perfil das vítimas e dos acidentes. Do total de mortes em março deste ano, 15 envolveram motociclistas, o que representa metade dos casos. Na sequência, aparecem ocupantes de automóveis (7), pedestres (6) e ciclistas (2). Em relação ao gênero, os homens são ampla maioria, com 24 vítimas, contra seis mulheres. A faixa etária com maior concentração de mortes é a de 30 a 39 anos, com sete registros. Já o tipo de ocorrência mais frequente foi a colisão, responsável por 14 mortes no período.
Para o advogado especialista em trânsito e ex-policial rodoviário, André Gomes Bertucci, o cenário é resultado de uma combinação de fatores. “Os números vão sempre aumentar daqui para frente. Há um crescimento na venda de motos, impulsionado pelo alto custo do combustível e da manutenção de carros, e a moto é muito mais arriscada.”
Segundo Bertucci, o comportamento dos condutores também influencia. “O uso de celular ao volante cresce cada vez mais. As pessoas estão mais desatentas no geral, dirigindo sem foco. Isso, somado ao aumento do fluxo e a uma malha viária que não acompanha essa expansão, acaba gerando mais acidentes”, diz.
A predominância de vítimas masculinas, de acordo com o especialista, está relacionada ao perfil de condução. “O homem costuma se arriscar mais no trânsito, acredita que tem maior controle do veículo e acaba realizando manobras perigosas, como ultrapassagens arriscadas”, explica.
Sobre a concentração de mortes na faixa dos 30 aos 39 anos, Bertucci aponta a rotina como fator determinante. “São pessoas economicamente ativas, que estão o tempo todo em deslocamento, trabalhando, sob pressão e com pressa. Isso aumenta a exposição ao risco em comparação com outras faixas etárias.”,
EDUCAÇÃO NO TRÂNSITO
O especialista em trânsito André Gomes Bertucci também chama atenção para problemas estruturais e de formação. O advogado aponta a combinação de fatores como falhas na educação para o trânsito, que deveria começar desde cedo, problemas no processo de habilitação e uma infraestrutura viária muitas vezes inadequada, com vias que não comportam o volume de veículos.
Bertucci defende que campanhas educativas mais consistentes podem ajudar a reduzir os índices. “A mudança passa pela educação. As campanhas existem, mas ainda são pontuais e pouco efetivas diante da dimensão do problema.”
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