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No Mundo da Lua, e aqui na Terra

Marli Gonçalves
12/04/2026 | 09:26
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Reprodução Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


Lindas imagens da Lua bem de pertinho feitas pelos astronautas da Artemis, a bolinha cinza, em cores, no escuro, no claro. A Terra, outra bolinha, e tudo pegando fogo em atritos políticos, religiosos, de poder. Na mesma semana, ironia.

Não é de hoje que andamos no tal Mundo da Lua. Distraídos, alheios ao tanto que acontece ao nosso redor, sem prestar atenção ao que aparece tão claro à nossa frente, aos perigos que avançam como foguetes. Que começam, como dizemos, lá em cima, no topo da cadeia de comandos, muitas vezes, eleitos.

Como suportar silente tanta violência, guerras, ameaças? O perigo de saber de um homem a cada dia mais desequilibrado e perigoso dirigindo a maior potência do planeta, ameaçando acabar com uma civilização, como disse com todas as letras, e nada acontecer de objetivo, fora umas declarações bem chinfrins e fraquinhas. Ficamos todos esperando com o coração aos pulos o relógio bater nove da noite, hora limite, vendo o sobe e desce dos mercados, acompanhando como se fosse ficção o que se desenrolava. Aí veio o anúncio de uma trégua tão frágil que não precisou nem de duas semanas para derreter; em horas já era dúvida, tão mal combinada entre todos. Assustador, e a escala está avançando – não só no Oriente Médio, mas nas esquinas do nosso continente. Seguimos para o próximo capítulo, próxima temporada, ameaça, devaneio, manchete. Com muita gente ganhando dinheiro com tudo isso.

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A natureza tenta mandar sinais de todos os tipos, e até São Paulo assistiu a beleza de um arco-íris duplo no amanhecer desses dias tensos, rara visão nessa atabalhoada metrópole. Aqui onde a polícia mata, despreparada e assustada, por qualquer movimento em falso, como uma mão bater em um retrovisor de uma viatura. A mesma que protege o coronel feminicida destruidor de vidas, e pagando a ele caros soldos por entre as frágeis grades de cadeia especial. 

Os tabefes vêm de todo os lados. Já está sabendo do documentário Netflix com a entrevista de uma risonha Suzane von Richthofen? Aquela lá que planejou a morte dos pais a pauladas. Tá na boa: ganhou, dizem, meio milhão de reais, para dar entrevista, mostrar o filho. O atual marido ganhou; quem mais falar ganhou também. Fora levar – digamos, cuidar do espólio – outros cinco milhões deixados por um tio falecido recentemente. Um ícone do crime, dessa nova modalidade de influencers que matam, roubam, seduzem, exploram, mentem etc, etc, que a lista é longa. Glamourização do mal.

Talvez isso explique, enquanto continuamos passivamente no Mundo da Lua, tudo só piorando. Ainda planejam literalmente que em breve ocupemos esse tal mundo. Olha a gravidade. Precisaremos pôr os pés no chão antes disso.

Marli Gonçalves é jornalista, cronista, consultora de comunicação, editora do Chumbo Gordo e autora de Feminismo no Cotidiano.




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