Valor elevado Tomate, cebola e alface puxaram alta mensal, enquanto feijão disparou 60% em um ano, diz Craisa
FOTO: Nario Barbosa/DGABC

A cesta básica em Santo André chegou a R$ 1.186,65 em março, o maior patamar desde o início da série histórica da pesquisa na cidade. O valor indica alta de R$ 40,24 (3,4%) frente ao mês passado e representa 73% do salário mínimo (R$ 1.621). Os dados foram puxados pelo tomate (43%), cebola (38,6%) e alface (27,7%). Em relação ao mesmo período de 2025, o número representa aumento de R$ 80,14 (7,2%), com disparo do feijão (60,5%). Especialista afirma que oscilações de preços dos combustíveis por causa da guerra no Irã e mudanças climáticas devem gerar mais aumentos no curto prazo.
Levantamento da Craisa (Companhia Regional de Abastecimento Integrado de Santo André) mostra que, frente a março do ano passado, produtos básicos continuam com variações significativas, com destaques também para itens de higiene pessoal como o papel higiênico (41,09%), e de limpeza, como o sabão em pó (37,63%). A pesquisa considera o consumo de uma família com dois adultos e duas crianças.
Segundo o engenheiro agrônomo da Craisa, Fábio Vezza, a alta recente foi ocasionada por fatores como clima e custos logísticos que impactam diretamente os preços. “As chuvas prejudicam a colheita e o transporte, enquanto o calor aumenta a demanda por esses produtos. O valor do combustível influencia as variações. Percebemos mais nos alimentos frescos, que são abastecidos diariamente.”
Ele também explica o motivo do aumento de um dos principais vilões da cesta, o feijão. “Esse item tem de três a quatro safras ao longo do ano. Essa ‘das águas’, com as tempestades, não foi boa, porque a qualidade do grão foi prejudicada. Não há também perspectiva de melhora. Isso porque a próxima safra, ‘da seca’, será influenciada pelos valores dos combustíveis e energia.”
Por outro lado, em um ano, alguns alimentos tiveram queda, como laranja (-28,5%), os ovos (-27,2%) e o arroz (-15,8%). De acordo com Vezza, o cenário externo tem pressionado os preços. “Em março já tivemos uma alta considerável, de cerca de R$ 40 na cesta, acima do que normalmente observamos. Foi o maior valor já registrado até agora, e esse movimento também reflete o impacto da guerra e da instabilidade internacional. A expectativa é de que abril seja ainda pior”, avisa.
Na prática, esse cenário já alterou o comportamento do consumidor. A professora Aline Morelli, 37, moradora do Jardim Ocara, começou a evitar compras grandes e priorizar o essencial. “Eu costumo comprar semanalmente. Se está mais barato, levo mais. Senão, escolho só o necessário.”
A dona de casa Antônia Ostuni, 65, moradora do bairro Valparaíso, conta que mudou a rotina e limitou o consumo. “Tenho diminuído até a quantidade das refeições. Vou comprando pouco a pouco para completar o que falta.”
Vezzá recomenda atenção ao momento da compra. “Evitar o início do mês, quando há menos promoções, e priorizar a segunda quinzena pode ajudar. Ir ao mercado sem fome e evitar compras por impulso são estratégias importantes.”
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