Política Titulo Mudança na lei

Taka projeta futuro de Diadema a partir da reforma do Ipred

Prefeito aposta na aprovação da reestruturação da Previdência para equilibrar contas e, assim, investir na melhoria de vida da população

Evaldo Novelini
Nilton Valentim
08/04/2026 | 22:51
Compartilhar notícia
FOTO: André Henriques/DGABC
FOTO: André Henriques/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


 O prefeito Taka Yamauchi (MDB) afirma que o futuro de Diadema depende da reestru-turação do regime próprio de Previdência Social. A análise do projeto de lei de autoria do Executivo, em primeira e segunda votações, está prevista para ocorrer hoje a partir das 14h. Com rombo de R$ 1,2 bilhão nas contas, o Ipred (Instituto de Previdência do Servidor Municipal) ameaça levar as finanças diademenses à bancarrota.

Para o prefeito, aprovar a reforma da Previdência é essencial para reequilibrar as contas do município. “Porque senão, daqui a três anos, o Ipred irá à falência; daí a gente iria entrar num verdadeiro colapso”, projetou Taka em entrevista exclusiva concedida ontem ao Diário. Para garantir o pagamento de aposentadorias e pensões, o Paço precisou aportar R$ 120 milhões no instituto em 2025. “Este ano não vai ser diferente.”

Taka culpou nominalmente três de seus antecessores pela situação do Ipred: Mário Reali (PT), Lauro Michels (PSD) e José de Filippi Júnior (PT). “É um problema de 30 anos. Não é um problema de agora”, ilustrou o prefeito, que, ao defender a CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) instaurada na Câmara para investigar o rombo na Previdência, chegou a dizer que os servidores foram roubados.

DGABC

O emedebista criticou a oposição e sindicalistas por não endossarem a investigação no Legislativo, dizendo que a CPI vai chegar nos políticos culpados. Quais? “Tenho certeza de que não só do PT, mas de outras administrações que passaram pela cidade e infelizmente pouco fizeram pelos servidores públicos. Hoje é fácil levantar uma bandeira e falar: ‘Estamos com vocês’. Mas cadê eles na luta onde roubaram o servidor público?”, apontou Taka.

O governo afirmou que, nas últimas três décadas, as administrações municipais dilapidaram o patrimônio do Ipred, que saiu de R$ 730 milhões positivos em caixa para a atual dívida bilionária. O saldo foi utilizado no pagamento de aposentadorias e pensões e o buraco começou a ser formar na medida em que o Paço deixava de fazer o repasse obrigatório da cota patronal ao instituto.

O principal desfalque nos cofres do Ipred foi identificado em 19 de julho de 1996. Nessa data, o então prefeito Filippi, exercendo o primeiro de seus três mandatos, solicitou à Câmara autorização para contrair empréstimo de R$ 8,5 milhões junto ao Instituto de Previdência do Servidor Municipal. O montante, que nunca foi devolvido, seria equivalente hoje a R$ 132,4 milhões.

Segundo Taka, a aprovação da reestruturação do regime próprio de Previdência Social vai permitir que a administração volte suas atenções a projetos destinados a melhora e a qualidade de vida da população. “Se Deus quiser, vai ter essa decisão para que a gente possa respirar, focar na administração, para que daqui a algum tempo a gente possa entregar a cidade muito melhor do que a gente pegou”, avaliou o prefeito.

Se o projeto for rejeitado, o déficit orçamentário do Ipred em 2026 será de R$ 160,2 milhões. Para honrar seus compromissos, o instituto teria de ser socorrido pela Prefeitura, que precisará aportar o valor – que, segundo contas de Taka, é suficiente para construir cinco escolas ou um hospital.

LEIA TAMBÉM 

Prazo para creche noturna em São Bernardo é prorrogado




Comentários

Atenção! Os comentários do site são via Facebook. Lembre-se de que o comentário é de inteira responsabilidade do autor e não expressa a opinião do jornal. Comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros poderão ser denunciados pelos usuários e sua conta poderá ser banida.


;