Área da Ford Risco de a região perder investimento logístico continua, apesar de governador ter garantido há 5 meses que existia solução tecnológica
Metrô diz que não há nenhuma mudança no plano (FOTO: Celso Luiz 8/4/24)

Cinco meses após o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), dizer que existia solução tecnológica para conciliar os dois grandes empreendimentos previstos para a antiga área da Ford, em São Bernardo, a situação continua a mesma no local. O pátio de manobras da futura Linha 20-Rosa do Metrô segue programado para ser erguido na área garantida pela DUP (Declaração de Utilidade Pública), emitida em outubro do ano passado. E o projeto do condomínio logístico da multinacional norte-americana Prologis permanece no papel e sem previsão de início.
“Não há mudança de planos por parte do Metrô, que vai utilizar as mesmas áreas da DUP já informadas. O atual estágio do empreendimento da futura Linha 20-Rosa é a elaboração do Projeto Básico, com conclusão prevista para o segundo semestre”, formalizou o Metrô por nota.
O impasse teve início no ano passado, quando o governo de São Paulo publicou, em 31 de outubro, no Diário Oficial, a DUP relativa a 227,6 mil metros quadrados dos 1 milhão de metros quadrados pertencentes à Prologis – o que, segundo o Estado, representa apenas 24% do terreno.
Já a multinacional indicou que o plano de construção do pátio, da forma como está, domina, na verdade, 40% da área útil e vai na contramão dos estudos de eficiência dos galpões. Isso porque trava uma das saídas projetadas para a Rodovia Anchieta e prejudica o planejamento estratégico no local.
Como contraproposta, a empresa sugeriu ceder 160 mil metros quadrados, em outra parte do terreno, para manter as obras. O Metrô, no entanto, afirmou que “as alternativas sugeridas se mostraram inviáveis”.
Em entrevista ao Diário em novembro, Tarcísio de Freitas destacou ser possível harmonizar os dois projetos e que as equipes estavam engajadas para solucionar a situação. Dois meses depois, a Prologis formalizou ao Estado pedido para reavaliação da área e realizou reuniões com representantes do Metrô. Mas nenhum avanço foi registrado.
De acordo com o Metrô, a construção da Linha 20-Rosa vai gerar cerca de 10 mil empregos e beneficiar 1,4 milhão de pessoas. Também estima-se a redução de 188 mil toneladas de emissões atmosféricas e benefícios que somados podem chegar a R$ 2,7 bilhões anuais.
Enquanto isso, a Prologis prevê investimento total de R$ 33 bilhões para criação de galpões que podem ser usados por empresas de e-commerce, por exemplo, e geração de 12 mil empregos.
O retorno para a receita municipal é estimado em R$ 1,7 bilhão em 10 anos. O impacto para o PIB (Produto Interno Bruto) do Estado chegaria a R$ 37 bilhões no período.
Sem acordo entre as partes, permanece inalterado o risco de o Grande ABC ficar sem esse investimento.
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