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Impasse entre Prologis e Metrô põe em risco avanço do Grande ABC

Multinacional norte-americana, que suspendeu o começo de obras em novembro, encaminhou pedido formal para reavaliação administrativa

Beatriz Mirelle
11/01/2026 | 08:30
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Celso Luiz/DGABC
Celso Luiz/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


As divergências entre a multinacional norte-americana Prologis e o Metrô, companhia do governo do Estado, a respeito da utilização da área onde ficava a fábrica da Ford, no bairro Taboão, em São Bernardo, entram no terceiro mês sem perspectiva de solução. Como tentativa para destravar os impasses, a empresa, que visa construir um condomínio logístico no local, alega que protocolou no fim de dezembro, junto à companhia do Metrô, um pedido de reavaliação administrativa do espaço, que também é pleiteado para servir de sede ao pátio de manobra da futura Linha 20-Rosa do modal.

Enquanto o governo do Estado de São Paulo alega que vai usar apenas 24% do terreno (227 mil metros quadrados do total de quase 1 milhão de metros quadrados), a multinacional afirma que o projeto, da forma como está, domina, na verdade, 40% da área útil e vai na contramão dos estudos de eficiência dos galpões.

Como contraproposta, a Prologis deseja ceder 160 mil metros quadrados, em outra parte do terreno, para construção do pátio. Isso porque, segundo a empresa, a área alvo da DUP (Declaração de Utilidade Pública), emitida no ano passado pelo Estado, impede a construção de um dos acessos do condomínio logístico para a Rodovia Anchieta, o que prejudica o planejamento estratégico do local. (Veja a arte acima)

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O Metrô declara, em nota, que compreende a relevância do empreendimento privado e diz que manteve diálogo constante com a Prologis, com reuniões presenciais, virtuais e visita in loco.

“No entanto, as alternativas sugeridas se mostraram inviáveis para atender aos requisitos técnicos essenciais para a implantação da linha, como proximidade do traçado, logística para operação da linha e espaço para o emboque simultâneo de duas tuneladoras. Atender às exigências da empresa comprometeria a implantação da linha. O pátio é estratégico para iniciar a construção da linha pelo Grande ABC”, informa.

O comunicado também ressalta que a Linha 20-Rosa vai gerar cerca de 10 mil empregos e beneficiar ao menos 1,4 milhão de pessoas. “Estima-se a redução de 188 mil toneladas de emissões atmosféricas, incluindo poluentes e gases de efeito estufa, diminuição de 1.500 acidentes, economia de 84,8 milhões de litros de combustíveis e redução de 198 milhões de horas de viagem por ano. Esses benefícios somados podem chegar a R$ 2,7 bilhões anuais.”

Apesar de o governo declarar que as tratativas seguem, a multinacional pontua que, depois da DUP, o espaço para diálogo diminuiu. Por isso, houve a necessidade de pedido formal para reavaliação.

“A proposta (da empresa) preserva integralmente todos os requisitos operacionais do Metrô, como estruturas para tuneladoras, subestações e vias de testes, ao mesmo tempo em que reduz a área sujeita à desapropriação e gera economia estimada de R$ 130 milhões (cerca de 16%) no custo total da obra pública, eliminando ainda gastos com remediação de solo e interferências de drenagem”, detalha o country manager (gerente nacional) da Prologis, Hermano Souza. 

O empreendimento da empresa tem capacidade para gerar 4.000 empregos no período de obras e cerca de 12 mil postos diretos e indiretos na fase operacional, de acordo com dados da companhia.

O projeto prevê investimento total de R$ 33 bilhões e retorno de R$ 1,8 bilhão somente para os cofres municipais em dez anos.


Obras podem devolver ‘vida’ à área da antiga Ford

Os impactos econômicos das construções do condomínio logístico da Prologis e do pátio de manutenção da Linha-20 Rosa do Metrô no mesmo terreno poderiam devolver para a região parte do protagonismo e potencial de geração de emprego e movimentação comercial que existiu quando a Ford atuou no local.

A área no bairro Taboão, em São Bernardo, aguarda um novo destino desde outubro de 2019, quando a montadora encerrou as atividades no espaço após 52 anos – em um primeiro momento, a fábrica norte-americana concentrou sua produção nas unidades de Taubaté, Camaçari (Bahia) e Horizonte (Ceará), mas em 2021 deixou definitivamente o Brasil.

O economista Ricardo Balistiero, professor do Núcleo de Negócios do Instituto Mauá de Tecnologia, pontua que mobilidade e logística devem andar lado a lado, caso a região queira se projetar como um polo econômico importante no Estado de São Paulo.

“O Grande ABC é forte, principalmente nas áreas química e automotiva. Estamos perto do Porto de Santos, temos conexão fácil com grandes rodovias. Não dá para negligenciar isso ou priorizar uma parte e excluir a outra. A última grande intervenção que tivemos foi a criação do corredor de ônibus ABD, há 35 anos. A chegada da Linha 20-Rosa será uma verdadeira revolução, que vai se juntar à obra do BRT-ABC (corredor de ônibus elétricos que liga São Bernardo a São Paulo).”

A Prefeitura de São Bernardo analisa que a implementação dos galpões é essencial para consolidar a cidade como um dos principais hubs de logística do Brasil. O Paço visa destravar essa questão entre a empresa e o Metrô ainda no primeiro trimestre de 2026.

“A Linha 20-Rosa não compensa a perda (de um empreendimento logístico). São projetos que podem se complementar. As trocas são ruins nesses casos, porque uma coisa não elimina a outra”, avalia o professor.

Segundo Balistiero, embora o condomínio logístico tenha potencial para criar vagas no mercado de trabalho, não chegará ao nível de fortalecimento gerado pela Ford. 

“Obviamente, apesar disso, é melhor ter a Prologis na região do que não ter. Logística é serviço, o que não substitui a indústria do ponto de vista da qualificação da mão de obra nem da geração de renda. O importante é também trazer indústrias, porque elas geram uma série de repercussões positivas do ponto de vista daquelas empresas que fornecem insumos, como autopeças e pequenas firmas.”

A Ford, que chegou a manter 12 mil empregos no auge, em 1987, e fabricou modelos como o Corcel, o Del Rey e o Escort XR3, tinha 2.800 trabalhadores quando finalizou a produção em São Bernardo.




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