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Estúdio de tatuagem em Mauá aplica vacina contra ‘Red Pill’

Estúdio de tatuagem em Mauá aplica vacina contra ‘Red Pill’

06/04/2026 | 07:32
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FOTO: Nario Barbosa/DGABC
FOTO: Nario Barbosa/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


Uma ‘vacina’ contra o discurso misógino virou atração em um estúdio de tatuagem no Centro de Mauá. A ação direcionada ao movimento Red Pill, associado a conteúdos que atacam mulheres nas redes sociais, reuniu centenas de pessoas para tatuar borboletas. Originalmente usadas de forma pejorativa por homens para desqualificar quem as exibe, as tatuagens se transformaram em um símbolo de proteção e resistência contra esses grupos.

A campanha foi realizada no dia 22 de março. Naquela data, durante a madrugada, já havia fila na porta, e ao longo do dia, cerca de 700 pessoas passaram pelo local. A ideia foi desenvolvida pelo tatuador Rodrigo Marques, 33 anos, em parceria com o influenciador Pablo Loyo, 26. O projeto surgiu a partir da repercussão de conteúdos que associam mulheres tatuadas, especialmente com borboletas, a julgamentos sobre comportamento e relacionamentos.

“Pegamos esse tema que estava sendo muito falado na internet e decidimos juntar com a tatuagem para abordar esse assunto. É um discurso de ódio que está crescendo sobre as mulheres”, disse Marques.

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Inicialmente, a proposta previa a realização de 30 tatuagens gratuitas, mas a procura superou as expectativas. Com a ampliação da equipe e apoio de outros envolvidos, cerca de 150 mulheres foram tatuadas. As demais puderam participar por um valor simbólico de R$ 100.

Para dar conta da demanda, o estúdio contou com a atuação das tatuadoras Maria Marques, 26; Nadia Marques, 26; Camila Caris, 34; e Gabrielle Ferreira, 31. A presença feminina na equipe reforçou o caráter da iniciativa, explica o criador.

“Esse discurso de ódio dos homens tem crescido cada vez mais, e nós, mulheres, temos que nos unir contra isso. Os casos de feminicídio também aumentam e, se pudermos lutar contra isso, é o que temos que fazer. Já tinha vontade de fazer uma tatuagem de borboleta e vi no evento a oportunidade de fazer gratuitamente”, relatou a fisioterapeuta Talita Elen, 35, de Santo André.

Ela também falou sobre a experiência. “Desde quando cheguei, fiz amizades na fila. Foi um ambiente leve, divertido e muito acolhedor. Saí de lá muito feliz, com a minha tatuagem de borboleta no peito”, disse.

Já a fotógrafa Natália Alves, 29, do bairro Tatuapé, na Capital, afirmou que a proposta foi marcante. “Foi algo muito especial. Quando vi o projeto nas redes sociais, achei a proposta incrível. Usar a arte como forma de se posicionar contra discursos machistas e trazer essa conscientização é muito importante”, afirmou.

“A borboleta representa transformação, renascimento e liberdade. Isso tem muito a ver com a força da mulher e com tudo o que vivemos e superamos. É impossível não refletir sobre a importância de falar sobre a violência contra a mulher, que ainda cresce tanto”, falou.

Segundo Natália, o ambiente reforçou o propósito da iniciativa. “Logo que cheguei, senti uma energia muito boa, com mulheres se apoiando e trocando ideias de forma respeitosa. Foi uma experiência de conexão”, completou.

Mais do que a tatuagem, as participantes também receberam uma ‘carteirinha de vacinação’. A iniciativa, segundo os organizadores, é para mostrar que elas estão ‘vacinadas’ contra o movimento Red Pill.

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