Negócios Grande ABC entrou nos holofotes como hub de distribuição por localização privilegiada, mão de obra qualificada e galpões com recursos de agilidade
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O Grande ABC entrou na mira de empresas como rota alternativa para consolidação de centros logísticos. A localização privilegiada, o berço industrial e a chance de aproximar os locais de distribuição das demandas das sete cidades e de toda Região Metropolitana de São Paulo se tornaram os principais atrativos. Com investimentos milionários de multinacionais como a Goodman, marcas de e-commerce como Shopee e Mercado Livre encontram galpões no modelo ‘Triple A’, projetados para garantir agilidade, precisão e controle em larga escala, para consolidar as atividades.
Especialista afirma que, além de movimentar a economia local, atividades desse tipo exigem profissionais cada vez mais capacitados com as tendências de mercado e instigam o avanço tecnológico.
“A região sempre foi um polo de mão de obra qualificada, instigado pelas indústrias automobilística, metalúrgica e química. A chegada dos centros logísticos não ameaça a formação de vagas, mas sim demandam mais otimização de processos. Entender os sistemas, automatizações e robôs exigem profissionais atentos e capacitados. Esse é um grande desafio, que pode ser resolvido com a valorização e investimentos em parques tecnológicos e universidades regionais”, detalha o diretor do Imam (Instituto de Movimentação e Armazenagem de Materiais), Eduardo Banzato, especialista em intralogística, manufatura e gestão organizacional.
Ele reforça que os aportes instigam toda a cadeia de fornecedores até chegar ao cliente. “A região está colada em São Paulo, conectada às rodovias Anchieta e Imigrantes, próxima do Porto de Santos e dos aeroportos. Isso ajuda em reduções de custo, aumento de produtividade e melhoria do nível de serviço por estar em um local que também compra muito do e-commerce. Tudo isso a transforma em um hub de distribuição.”
Em nota, a Shopee pontua que a operação regional faz parte do trabalho para fortalecer a malha logística no Brasil e aprimorar a experiência de consumidores e vendedores da plataforma. Em São Bernardo, o centro de distribuição inaugurado em outubro de 2025 conta com o maior ‘sorter’ da empresa no Brasil. “É um sistema automatizado de classificação de produtos com capacidade para processar cerca de 3,8 milhões de pedidos por dia. A unidade opera no modelo cross-docking, em que as mercadorias chegam ao local e são rapidamente roteirizadas para o destino final”, comunica a Shopee.
Ela também possui hubs logísticos em Santo André e Mauá. “As operações logísticas na região já somam mais de 3.000 empregos diretos e indiretos, que apoiam o desenvolvimento econômico local. Em todo o Brasil já são 17 centros de distribuição e mais de 200 hubs. As agências espalhadas pelo País reduzem os prazos de entrega, facilitam e melhoram a experiência do consumidor e também criam oportunidades econômicas, sendo uma fonte de renda extra para pequenos e médios comerciantes”, comenta.
Outra grande do setor é o Mercado Livre, que no mês passado firmou parceria com a Goodman para ocupar 90% do centro logístico na Avenida dos Estados, em Santo André.
“A empresa confirma a expansão de sua operação logística para o Grande ABC como parte da estratégia contínua de fortalecer a rede em todo o Brasil. A companhia tem mantido investimentos contínuos em logística para oferecer o envio mais rápido e eficiente do País, acompanhando o crescimento do e-commerce e a demanda dos usuários”, informa o Mercado Livre em nota.
Inaugurado em novembro de 2025, o espaço da Goodman está instalado na área onde funcionou a antiga fábrica da Rhodia Química. As obras demandaram R$ 360 milhões de investimento. A expectativa é gerar 17 mil empregos.
A Colgate-Palmolive Brasil também escolheu o Grande ABC para integrar os projetos de expansão. A empresa lançou em fevereiro deste ano o Colgate Smart Supply Hub, em São Bernardo. A nova área aumenta a capacidade de armazenamento em mais de 171%. Na ocasião, a empresa ressaltou que a expansão viabiliza maior movimentação de cargas, mais operadores de empilhadeira, ampliação da frota e reforço da operação logística. O espaço conta com 300 funcionários diretos.
Baixa disponibilidade de terrenos é entrave do setor
A mina de ouro gerada pelos galpões logísticos tem encontrado como principal entrave a baixa oferta de espaços de qualidade. De acordo com a JLL, companhia de serviços profissionais especializada no mercado imobiliário, o nível de vacância no setor fechou em 7,7% em 2025. O País registrou recorde de quase 3 milhões de metros quadrados de novo estoque, sendo que São Paulo representa 50% deste número. O preço médio nacional chegou a R$ 30,7 por metro quadrado, o que indica alta de 7,8% em um ano.
“A demanda está cada vez mais forte. Os CDs (Centros de Distribuição) já ‘nascem’ totalmente ocupados dentro de estratégias de negócio. A tecnologia de automação exige estruturas mais adequadas. O Grande ABC enfrenta essa questão por ser uma área muito urbanizada, com poucos terrenos disponíveis. Quando conseguem o lugar, as empresas também precisam focar na recuperação dos edifícios”, comenta o diretor do Imam (Instituto de Movimentação e Armazenagem de Materiais), Eduardo Banzato, especialista em intralogística, manufatura e gestão organizacional.
Além de empresas especializadas em logística, outras marcas têm investido nesse negócio. Em novembro do ano passado, a Bridgestone, fabricante de pneus, inaugurou centro de distribuição em Mauá, com mais de 116 mil metros quadrados. A fabricante de embalagens de vidro de São Bernardo, Wheaton, também entrou na lista, com centro logístico de 21 mil metros quadrados e 50 mil posições de pallets. Segundo ela, o espaço reúne as etapas de armazenagem e expedição em um mesmo local. <EM>
MODELOS
Os galpões se destacam pelo modelo ‘Triple A’, que possui critérios rigorosos em relação à sustentabilidade, agilidade e segurança. Eduardo Banzato pontua que os empreendimentos são criados já para atender o alto fluxo de veículos e com planejamento de itens como iluminação natural e ventilação cruzada.
“A eficiência energética minimiza gastos. Toda infraestrutura é pensada de forma minuciosa. Um galpão normal tem pé direito de oito a nove metros. Já no modelo ‘Triple A’, são 12 metros. O piso conta com maior resistência, de seis toneladas por metro quadrado, além de nivelamento para evitar qualquer movimentação insegura. Também exige segurança 24 horas”, explica.
Entre as novidades para o Grande ABC, a MBigucci antecipou a construção de mais dez galpões logísticos de Triple A no Centro Logístico MBigucci Business Park Santo André, na Avenida dos Estados, 7.328, previstos para serem entregues até 2027.
No total, o terreno de 110 mil metros quadrados terá 37 galpões, com investimento de R$ 300 milhões pela construtora. Este é o terceiro centro logístico com a marca, que também possui aportes em Diadema, e São Bernardo.
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