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Câncer de intestino, 3º mais comum no Brasil, tem aumento de 16% na região

Grande ABC registra 822 atendimentos em 2025 contra 709 em 2024; diagnóstico precoce é decisivo para cura, explica especialista

29/03/2026 | 08:36
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FOTO: Câmara Municipal de Afonso Claudio/Divulgação
FOTO: Câmara Municipal de Afonso Claudio/Divulgação Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


O número de atendimentos por câncer de intestino (colorretal) no Grande ABC cresceu 16% em um ano, segundo dados do DataSUS, do Ministério da Saúde. Ao todo, foram 822 pessoas atendidas no ano passado, contra 709 em 2024. (Veja os registros por município na tabela). 

O câncer colorretal é o terceiro tipo mais comum no Brasil, com estimativa de mais de 45 mil novos casos em 2026, de acordo com o Inca (Instituto Nacional de Câncer). A doença também integra a campanha Março Azul-Marinho, voltada à conscientização e prevenção.

Segundo o oncologista do Centro Universitário FMABC (Faculdade de Medicina do ABC), Daniel Cubero, o câncer de intestino é um termo geral utilizado para descrever tumores que se desenvolvem na parte final do intestino, como o cólon e o reto, regiões do intestino grosso. “É uma doença que não é nova e está entre as mais frequentes, especialmente associada ao envelhecimento da população”, explica.

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O especialista também destaca que a doença costuma se desenvolver de forma silenciosa, o que reforça a importância dos exames preventivos. “No início, a pessoa não sente absolutamente nada. Os sinais geralmente aparecem quando a doença já está mais avançada”, afirma. 

Entre os sintomas mais frequentes da doença, estão sangue nas fezes e alteração na forma (fezes muito finas ou compridas). Além desses, existem outros sinais, como alteração do hábito intestinal (diarreia e prisão de ventre), dor ou desconforto abdominal, fraqueza e anemia, entre outros.

A ausência de sinais foi justamente o que surpreendeu a cirurgiã-dentista Leticia Paula Torres Brassaroto, 51 anos, de São Bernardo, diagnosticada com a doença após um exame de rotina. “Não tinha sintoma nenhum. Não tinha nada que me direcionasse a um problema de intestino”, relata.

Ela decidiu realizar a colonoscopia após insistência da mãe, Imbilina Gonçalves Nunes Torres, 78, que também teve câncer de intestino seis anos antes. O resultado veio no dia 18 de outubro de 2025. “O médico já falou que era uma lesão no intestino, com um aspecto estranho. Quando saiu a biópsia, confirmou o adenocarcinoma”, conta.

PREVENÇÃO

O caso exemplifica o alerta feito pelo especialista sobre a importância do diagnóstico precoce. Isso porque, quando identificado no início, o câncer de intestino tem altas chances de cura e, em alguns casos, pode ser resolvido ainda na fase de pólipo, que é um crescimento benigno, sem necessidade de intervenção cirúrgica.

Leticia passou por cirurgia em janeiro deste ano e retirou 16 centímetros do intestino. Agora ela segue em tratamento com quimioterapia. Apesar do impacto do diagnóstico, ela revela que o maior desafio foi emocional. “Parece que o chão cai. É muito mais psicológico do que físico. Você precisa acreditar que vai dar certo”, afirma.

Atualmente, mesmo com as limitações impostas pelo tratamento, como restrições alimentares, necessidade de evitar exposição ao sol, uso constante de máscara e menor circulação em ambientes públicos, ela diz que está bem e faz um alerta. “Não ignore os sintomas e faça os exames. A prevenção é o melhor caminho. Se eu não tivesse feito, poderia ter descoberto muito mais tarde.”

De acordo com Cubero, a principal forma de prevenção é a colonoscopia, indicada a partir dos 45 anos. O exame permite identificar e retirar lesões antes que se tornem câncer, reduzindo significativamente os casos da doença.

Para o especialista, ampliar o acesso ao exame é fundamental para mudar o cenário atual. “Se a colonoscopia fosse feita de forma ampla, conseguiríamos evitar grande parte dos casos e reduzir a necessidade de tratamentos mais complexos”, afirma.

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