Economia Titulo Segundo Serasa

Número de dívidas na região aumenta 80% em cinco anos

Cenário é motivado por juros elevados, facilidade de acesso à crédito e falta de educação financeira

Beatriz Mirelle
26/03/2026 | 07:30
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Arquivo/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


O número de dívidas no Grande ABC cresceu 79,3% em cinco anos, ao passar de 3.398.086 em fevereiro de 2021 para 6.094.612 agora. Os casos de inadimplência subiram 36,8% e saíram de 895.904 para 1.155.908 neste mesmo período. No Brasil, a quantidade de pessoas com nome sujo atingiu marco histórico neste ano, com 81,7 milhões de negativados. De acordo com especialista, os juros elevados, aumento da facilidade de acesso à crédito e falta de educação financeira motivam o cenário. Até 1º de abril, Serasa realiza feirão de renegociação, com 2.000 empresas e descontos de até 99%.

O assistente administrativo Ricardo Lichtenthaler Neto, 61 anos, morador do bairro João Ramalho, em Santo André, relata que tem uma dívida que passa de R$ 35 mil. Apesar de tenta se organizar para sair do vermelho, ainda se vê sem saída. “Lido com isso há dois anos. Tive que fazer uma conta para pagar a outra, que começou com problemas com inventário. Testamento consome muito dinheiro”, comenta.

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Na região, o ticket médio de dívida por inadimplente é de R$ 7.397,28, sendo o valor mais expressivo registrado em São Caetano (R$ 10.202,02). “A inadimplência é um conjunto de fatores, que pode depender do local onde a pessoa mora. Cada cidade registra movimentos diferentes na economia, seja pelo custo de vida elevado, maior acesso à consignados etc.”, explica a especialista da Serasa em educação financeira Aline Vieira.

Segundo ela, o aumento da digitalização provou a abertura de fintechs (empresas de tecnologia financeira) e novos bancos digitais, que facilitam a disponibilidade de crédito. “Os brasileiros enfrentam dificuldades na gestão desses valores. O crédito deve ser visto como uma possibilidade da pessoa realizar um objetivo, não uma extensão da renda. Caso contrário, ele compromete ainda mais as finanças para arcar com contas básicas.”

Os dados do Mapa da Inadimplência da Serasa revelam que o número de brasileiros com nome sujo subiu 38,1% em relação a 2016. O valor total das dívidas cresceu 176% em dez anos. 

Atualmente, quase metade dos inadimplentes (48%) recebe até um salário mínimo por mês (R$ 1.621) e 30% até R$ 3.242. “Para quem ganha esses valores, qualquer imprevisto já gera desequilíbrio nas contas e muitos precisam recorrer aos empréstimos. Quanto menor a renda, é mais fácil do orçamento ficar comprometido e não dar espaço para reservas de emergência.”

Neste período, idosos ampliaram a participação entre os mais endividados e correspondem a 19,41%. Além disso, as mulheres são 50,5% dos inadimplentes. “Idosos costumam pedir crédito para ajudar familiares que estão no vermelho. Esse grupo também está mais exposto às fraudes bancárias. Já em relação às mulheres, percebemos maior protagonismo para assumir o sustento das famílias”, detalha Aline.

(Colaborou João Vittor Espindula)




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