Na Câmara Iniciativa do vereador Ananias Andrade foi encaminhada à Comissão de Direitos Humanos da Casa para apuração
FOTO: Divulgação

A Câmara de São Bernardo aprovou ontem, em regime de urgência, por 19 votos favoráveis, moção de repúdio apresentada pelo vereador Ananias Andrade (PT) diante de denúncia sobre a realização de um festival com bandas associadas ao neonazismo no município.
A iniciativa foi encaminhada à Comissão de Direitos Humanos da Casa e se baseia em reportagem publicada em 13 de março de 2026 no site combaterock.com.br, sob o título “Lixo nazista faz festa no ABC paulista”, assinada por Mauricio Gaia. Segundo a reportagem, o evento teria ocorrido no dia 7 de março, no bairro Jardim do Mar, no Rudge Ramos.
Ainda conforme a moção, o festival teria reunido grupos internacionais e nacionais ligados à ideologia extremista, como Mr. Obled (Polônia), Total Anihilation e Brassic (Estados Unidos), Smart Violence (Alemanha) e a brasileira Bandeira de Combate.
“Recebi denúncia de integrantes do movimento do rock de São Bernardo sobre a realização de um festival com bandas neonazistas no bairro Jardim do Mar, fato que também foi noticiado por um site especializado. Diante disso, apresentei à Câmara uma moção de repúdio e, simultaneamente, uma denúncia formal à Comissão de Direitos Humanos, para que o caso seja devidamente investigado. Trata-se de uma situação grave, que não pode ser relativizada pela cidade”, afirmou.
Ananias Andrade disse que já iniciou articulações para que o caso também seja apurado pelo Executivo. Segundo o vereador houve conversa com o líder de governo, Julinho Fuzari (Cidadania), para o encaminhamento de uma indicação ao prefeito Marcelo Lima (Podemos).
“Vamos encaminhar uma indicação ao Executivo para que o prefeito também tome as ações cabíveis, investigando onde isso ocorreu. Esses eventos acontecem em grupos fechados, não são amplamente divulgados. As bandas são trazidas dentro desse circuito mais restrito”, explicou.
Ananias destacou a tradição política da cidade e defendeu uma resposta firme diante da denúncia. “São Bernardo tem uma história democrática de luta. Não podemos nos calar diante disso ou simplesmente ver uma denúncia, feita por meio de um site, sem tomar medidas concretas e com consequências”, concluiu.
Questionado, Renan Queiroz (Democrata), que preside a Comissão de Direitos Humanos da Câmara, disse que como a denúncia chegou ontem no plenário, vai ler o documento, para entender o ocorrido. “Após isso, como presidente da Comissão, darei ciência aos demais vereadores e também informarei o crime aos órgãos competentes e à polícia. Porém, antes de tomar qualquer decisão, precisamos ler com calma a moção de repúdio”, pontuou.
Julinho Fuzari afirmou que é necessária a apuração, por parte das autoridades, das informações apresentadas por Ananias. “Se, de fato, for comprovado, ocorreu um crime, segundo a Constituição do nosso País. Acredito que é caso de polícia. Então, a Câmara deve agir, por meio da Comissão de Direitos Humanos, cobrando uma investigação das nossas autoridades, no caso, a Seccional (Polícia Civil)”, destacou.
O vereador Pery Cartola (Cidadania) afirmou que escolher participar de um grupo que traz como temática o neonazismo é um retrocesso. “Esta Casa de Leis não vai se furtar de pedir às autoridades competentes para investigar. Dou como sugestão a suspensão imediata do estabelecimento.”
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