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Intenção de novos investimentos na indústria recua de 72% para 56% em 2026

Pesquisa da CNI aponta que taxa de juros elevada é principal fator para desestimular setor, que aguarda possível anúncio de corte da Selic nesta quarta

Beatriz Mirelle
18/03/2026 | 08:00
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André Henriques/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


O total de empresários do setor industrial dispostos a investir recursos caiu de 72% em 2025 para 56% neste ano. Desse total, a maioria (62%) dará continuidade a projetos que já estão em andamento e apenas 31% vão investir em novas iniciativas. De acordo com dados da CNI (Confederação Nacional da Indústria), 23% dos empresários não pretendem aplicar aportes em 2026, sendo que 38% deles adiaram ou cancelaram aportes que estavam em andamento.

“O percentual de empresas que não pretende investir é elevado e reflete o cenário adverso que a indústria herdou do ano passado, principalmente por conta dos juros altos. É um resultado que preocupa, uma vez que os investimentos são a base do crescimento sustentável e a fonte do tão necessário aumento da produtividade da economia brasileira”, avalia o gerente de análise econômica da CNI, Marcelo Azevedo.

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Os principais objetivos dos aportes previstos são melhoria do processo produtivo (48%); ampliação da capacidade produtiva (34%); lançamento de novos produtos (8%); adoção de novos processos produtivos (5%). A maior parte dos investimentos será voltada  para atender a demanda nacional (para 67% dos empresários).

“O capital próprio é a principal fonte de financiamento dos investimentos da indústria, que  ganhou importância em meio às dificuldades das empresas para obterem crédito junto ao sistema financeiro, seja pelo alto custo desses recursos, seja por outros entraves, como a exigência de garantias”, explica Azevedo.

No radar dos investidores, o Copom (Comitê de Política Monetária) confirmará nesta quarta-feira (18) se vai reduzir a taxa básica de juros. Na ata da última reunião, o Banco Central informou que o encontro de março seria marcado pela diminuição da Selic, que se encontra em 15% ao ano - maior patamar desde 2006. 

"As taxas nesse nível são proibitivas. Não permitem investimentos em renovação de plantas e tecnologias. Limitam os estudos de investimentos porque captar dinheiro no mercado fica muito caro. As repercussões desse corte não seriam imediatas, mas já criaram um leve alívio por significar passo importante da política monetária”, aponta o diretor titular do Ciesp (Centro das Indústrias do Estado de São Paulo) de Santo André, Eduardo Batistella Mazurkyewistz.

Uma das empresas que impulsionam a economia no Grande ABC, a CBC (Companhia Brasileira de Cartuchos) avalia que a indústria mantém o pé no freio por causa da dificuldade de acesso à crédito e falta de incentivos fiscais.

“Quanto maior a Selic, mais difícil para conseguir aporte e remunerar a operação. Os empresários desejam investir, mas, nessas condições, pensam duas vezes antes de anunciar algo. Temos também o fato de que competidores internacionais têm isenção tributária para vender no Brasil, enquanto a própria indústria nacional não é contemplada dessa maneira”, pontua o diretor-executivo da CBC, Paulo Ricardo Gomes.

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Boa parte das empresas que adiaram planos de investimento indica que incertezas econômicas são o principal fator (63%). Também apareceram entre os entraves a queda das receitas (51%), as oscilações setoriais (47%) e a expectativa de baixa demanda (46%). 

Para o empresário Mauro Miaguti, do Ciesp de São Bernardo, o custo do crédito, a insegurança regulatória e a complexidade tributária impactam diretamente a previsibilidade dos projetos. Apesar disso, a região tem um diferencial, que é a capacidade de integração entre empresas. “Temos um ecossistema consolidado, com montadoras, fornecedores de autopeças, empresas de tecnologia e serviços industriais que podem – e devem – gerar negócios entre si. Quando conseguimos fortalecer essa conexão, reduzimos riscos e ampliamos a confiança para novos investimentos”, observa.




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