Duro de engolir Valor registrado na cidade é 34,4% mais alto do que preço médio encontrado na Capital paulista, de acordo com o Dieese
FOTO: Claudinei Plaza/DGABC

O preço médio da coxa e sobrecoxa de frango teve alta de 16,7% em fevereiro e pressionou o valor da cesta básica em Santo André. O montante, que considera 34 alimentos, produtos de higiene pessoal e itens de limpeza doméstica, chegou a R$ 1.146,41, o que representa alta de 2,1% frente ao mês anterior, que fechou em R$ 1.122,73. Os dados são da Craisa (Companhia Regional de Abastecimento Integrado da cidade).
O total na região é 34,4% maior que o custo médio na Capital paulista. De acordo com o Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos), os paulistanos gastam R$ 852,87 no mercado.
Segundo o faxineiro Adão Rodrigues, 66 anos, morador do Jardim Alvorada, em Santo André, as carnes têm pesado bastante no bolso. “Eu compro de tudo. A de boi está sempre mais cara, enquanto a de frango está cada hora um preço. O jeito é pesquisar em mais de um supermercado. Compro um pouco em um, o restante em outro. Com a mudança climática, o tomate também tem variado bastante. Gasto R$ 1.300 por mês com essas compras. O planejamento financeiro em casa precisa ser bem rigoroso”, relata.
Na comparação entre janeiro e fevereiro de 2026, além do frango, as altas mais significativas foram da esponja de aço (21,2%) e molho de tomate (16,4%).
O levantamento da Craisa é baseado no consumo de uma família de quatro pessoas, sendo dois adultos e duas crianças, em um período de 30 dias. “Notamos que produtos de limpeza doméstica e higiene pessoal têm bastante variações entre os mercados pesquisados. Isso influencia a curva de oscilação que vemos entre um mês e outro. O frango teve alta bem representativa em relação a queda registrada em janeiro. Não há um motivo específico, percebemos mudanças significativas em cada estabelecimento”, analisa o engenheiro agrônomo responsável pelo estudo da Craisa, Fábio Vezzá de Benedetto.
O balanço mensal aponta que o sabão em barra subiu 9,3%; o papel higiênico de 16 rolos, 7,7%; e o sabão em pó, 3,3%. A dona de casa Ana Luiza Silva, 29, da Vila Alzira, em Santo André, afirma que ainda tenta traçar estratégias para economizar quanto realiza compras mensais para ela, o marido e os dois filhos. “Tudo está bem caro. No começo de 2025, eu consegui pagar R$ 20 no quilo do frango. Agora, pago R$ 30. Produtos como sabão em pó líquido e amaciante têm aumentado e feito muita diferença.”
Por outro lado, os maiores recuos entre janeiro e fevereiro foram tomate (-18,9%), alface (-17,7%) e bolacha (-17,4%). “ Os resultados de hortifruti surpreenderam. Nesta época do ano, temos alto consumo de saladas que enfrentam problemas com clima. As chuvas pesadas atrapalham a colheita e o transporte em estradas rurais, mas não foi o que aconteceu no último mês. Esse preço mais em conta é uma alternativa para o consumidor na hora de escolher a ‘mistura’”, diz Vezzá.
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