Eleições 2026 Ex-ministro crava Fernando Haddad no segundo turno, defende Geraldo Alckmin como vice de Lula e crê que a sigla vai reconquistar espaço no Estado
FOTO: Bruno Coelho/DGABC

O ex-ministro José Dirceu diz acreditar na reconstrução do PT em São Paulo e assim reverter os recentes resultados eleitorais do partido nos municípios paulistas. O pré-candidato a deputado federal afirmou que o petismo foi “reprimido juridicamente”, cravou o ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), no segundo turno na eleição estadual com o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), e defendeu a manutenção de Geraldo Alckmin (PSB) como vice-presidente da chapa pela reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Em visita a Mauá, uma das quatro cidades paulistas sob gestão do PT – a única na Região Metropolitana de São Paulo – na última quinta-feira, o petista, em entrevista ao Diário, garantiu que a meta é recuperar o terreno no Estado, após ser praticamente varrido do mapa em 2016, ano do impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT) e de ascensão da Operação Lava-Jato. Mesmo com o retorno de Lula à Presidência seis anos depois, o partido não obteve êxito e se retraiu ainda mais, com a perda de Diadema em 2024.
“O PT foi reprimido politicamente e juridicamente. Isso teve consequências políticas. A direita nunca cresceu no Brasil só pelos méritos dela. A direita cresceu muito nos reprimindo. Isso é um fato histórico. Eles impediram o Lula de participar (da eleição de 2018), caso contrário, a nossa situação eleitoral seria outra. Agora, isso não nos isenta da responsabilidade de reconstruir o PT, como aqui no Grande ABC. Estamos com um projeto de retomar em 2028 ou 2032 a força que nós temos aqui”, ressaltou.
Sobre a eleição de outubro, o ex-ministro revelou que o objetivo do PT é não perder nenhuma das 10 cadeiras que ocupa atualmente na bancada paulista da Câmara Federal e eleger “mais quatro ou cinco”, conforme disse. No Grande ABC, o petista confirmou a prioridade do partido em eleger Moisés Selerges para o assento antes conquistado pelo ministro do Trabalho e ex-prefeito de São Bernardo, Luiz Marinho, além de garantir o sétimo mandato a Vicente Paulo da Silva, o Vicentinho.
Para isso, porém, o PT dependerá mais uma vez de Haddad na corrida pelo Palácio dos Bandeirantes. O ministro deve se despedir do governo federal nesta semana, inclusive com expectativa de Lula anunciá-lo como pré-candidato ao comando do Estado em visita a São Paulo na quinta-feira – no mesmo dia, o presidente seguirá para agenda na UFABC (Universidade Federal do ABC). Para Dirceu, o ex-prefeito de São Paulo será figura certa no segundo turno contra Tarcísio, em busca da reeleição.
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“Haddad estará no segundo turno, com certeza. Porque nós temos votos para isso. Aliás, sempre tivemos um terço dos votos de São Paulo. Estou seguro que estaremos no segundo turno e que vai ser uma disputa muito acirrada, porque vamos discutir o que o Tarcísio fez por São Paulo. Uma coisa é a imagem que ele possui, o apoio e as peças que tem. Outra coisa será a hora que for discutir o que fez pelo Estado”, frisou o ex-ministro.
No que tange à disputa presidencial, Dirceu defende manter a coalizão vencedora da última disputa pelo Palácio do Planalto. “Defendo que mantenha Alckmin na chapa Lula. Gostaríamos que o Alckmin fosse candidato a governador ou a senador de São Paulo. Não podendo, será um apoio fundamental para o Haddad, à nossa candidata, a senadora Simone Tebet (MDB), ou para Marina Silva (Rede), ou Márcio França (PSB), ou o nome do Interior que vier compor a nominata”, detalha Dirceu.
Sobre o futuro do PT pós-Lula, o ex-ministro atrelou a discussão ao fortalecimento do partido, a fim de criar um campo fértil para futuras lideranças. “Quem é o mais preocupado com isso é o próprio Lula. Nosso presidente nos chamou para conversar, quando me convidou para voltar à direção do PT e pediu para eu ser pré-candidato a deputado federal, e assim estar com ele no caso da reeleição, o que é mais provável. O Lula tem dito que ele não terá um sucessor se o PT não estiver forte”, ponderou.
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