Proibido no Brasil Investigação iniciou no município e levou à prisão de apontado por trazer medicamentos do país vizinho
FOTO: Nario Barbosa/DGABC

A Polícia Civil prendeu nesta terça-feira (10) um homem acusado de importar e distribuir canetas emagrecedoras proibidas no Brasil. De origem libanesa, Ayman Habach, 43 anos, foi preso por policiais civis de Santo André em sua casa, na Zona Norte de São Paulo, durante o cumprimento de um mandado de prisão temporária. No local, os policiais encontraram 240 canetas do medicamento retatrutida, armazenadas no porta-malas de um carro.
A prisão faz parte de uma investigação conduzida pela Dicma (Delegacia de Investigações sobre Crimes Contra o Meio Ambiente), que apura a entrada e distribuição de medicamentos irregulares no País. As canetas apreendidas foram encaminhadas para perícia.
A retatrutida é um medicamento utilizado para tratamento de obesidade. Ele atua no organismo estimulando hormônios ligados à saciedade e ao metabolismo. Apesar do interesse crescente no produto, a substância ainda está em fase de testes e não é autorizada para comercialização no Brasil nem em outros países, porém, vendas estão se tornando cada vez mais comuns, com o produto sendo conhecido popularmente como “Mounjaro do Paraguai”.
A própria Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) determinou a apreensão e a proibição de produtos contendo retatrutida.
INVESTIGAÇÃO
As apurações começaram após uma apreensão realizada em novembro de 2025. Na ocasião, um motoboy foi abordado pela polícia enquanto transportava uma caixa com canetas emagrecedoras que seriam entregues na Rua Haddock Lobo, no Jardim Bela Vista, em Santo André. O entregador não tem relação com o esquema, mas a partir da ocorrência, policiais passaram a investigar a origem do produto.
Nesta terça-feira, o suspeito das vendas foi autuado em flagrante por crime contra a saúde pública, previsto no artigo 273, que trata da comercialização ou distribuição de produtos falsificados ou sem autorização sanitária.
Segundo a investigação, Habach é apontado como um dos responsáveis por trazer os medicamentos clandestinos do Paraguai para o Brasil e abastecer vendedores na região central de São Paulo.
RISCO À SAÚDE
Segundo o endocrinologista e secretário de Saúde de Diadema, Antonio Carlos do Nascimento, a circulação desse tipo de medicamento no mercado paralelo representa risco grave à saúde pública. “O medicamento ainda está em fase três de estudos clínicos nos EUA, que é a etapa final antes de uma possível liberação para comercialização. Nem o FDA (Administração de Alimentos e Medicamentos, na sigla em inglês), que é a agência reguladora norte-americana, aprovou o uso da substância até agora. Por isso, ela também não foi submetida à avaliação da Anvisa”, afirmou.
Segundo o especialista, somente após eventual aprovação pelo órgão regulador dos EUA o laboratório responsável poderia solicitar autorização para comercializar o medicamento em outros países.
Nascimento alerta que qualquer venda de retatrutida atualmente é considerada irregular e sem garantia sanitária. “Toda compra desse produto hoje é ilegal. Não há qualquer margem de segurança. Não sabemos se a substância realmente está presente no frasco, em que condições foi fabricada ou se foram seguidos critérios sanitários adequados.”
O médico também destaca que muitos desses produtos são cópias produzidas fora dos padrões da indústria farmacêutica, frequentemente em países onde há brechas na legislação de patentes.
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