Nesta quarta-feira (4) Familiares e amigos de Felipe Moraes de Oliveira realizaram mobilização em frente ao Fórum Criminal antes da audiência sobre o caso, ocorrido em agosto de 2025
FOTO: Nário Barbosa/DGABC

Familiares, amigos e apoiadores realizaram, na manhã desta quarta-feira (4), um ato em frente ao Fórum Criminal de Santo André, antes da audiência de instrução que irá analisar o caso da morte do multiartista Felipe Moraes de Oliveira, 29 anos. A sessão está marcada para as 14h e é considerada um momento decisivo no andamento do processo.
Felipe foi morto a tiros na manhã de 26 de agosto de 2025, no Mercado Loyola, localizado no bairro Jardim do Estádio, em Santo André. De acordo com as investigações, o jovem teria discutido com um segurança ao tentar entrar no estabelecimento acompanhado de seu cachorro. O funcionário, que fazia “bico” no local, é apontado como autor dos disparos.
O acusado, Milton Miranda Filho, 58, responde por homicídio qualificado. Segundo o Ministério Público, o crime ocorreu após a discussão relacionada à presença do animal e há indícios de que o ato possa ter sido motivado por preconceito racial.
A mobilização desta quarta-feira tem como objetivo acompanhar o desenrolar do processo e reforçar a cobrança por celeridade na Justiça.
Companheira de Felipe, Evelyn Silva, 28, estudante de Ciências e Humanidades, afirmou que as manifestações vêm sendo organizadas desde o ano passado para manter o caso em evidência e oferecer apoio à família.
“A minha expectativa é que ocorra tudo bem, que realmente seja esclarecido o que de fato aconteceu, que infelizmente foi mais um caso de racismo. Meu companheiro era um jovem de 29 anos, ele era artista, multiartista, era um homem de axé. Eu só quero que a justiça de fato seja feita. Ele hoje compõe o número da estatística de jovens negros assassinados, mas ele jamais vai ser somente um número”, declarou.
Evelyn também ressaltou a importância da mobilização popular. “Se não tivesse toda essa movimentação, talvez ele seria só mais um número dentro dessa estatística horrorosa dos nossos jovens negros sendo assassinados. Está sendo fundamental.”
Ao lembrar da convivência do casal, ela destacou os quase seis anos de relacionamento. “A gente ficou cinco anos e dez meses juntos. Casei com ele em 2020. Felipe era uma pessoa extremamente amorosa, afetuosa. Ele vinha de um contexto de vulnerabilidade muito grande e, ainda assim, era alguém que queria cuidar das pessoas.”
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