Sinais Durante palestra do Ciesp, tenente coronel Viviane Santana, e a delegada da Delegacia da Mulher da cidade, Renata Cruppi,comentaram sobre como observar sinais em um relacionamento
Gabriel Rosalin/DGABC

Em palestra no Ciesp (Centro das Indústrias do Estado de São Paulo) de Diadema, a comandante do 24° BPM/M (Batalhão de Polícia Militar Metropolitano) diademense, tenente coronel Viviane Cristina Santana, afirmou que o combate ao feminicídio passa pelo fim ciclo de agressões e percepção de sinais abusivos.
Com o objetivo de dialogar sobre segurança pública em casos de violência contra mulher, o evento aconteceu nesta quarta-feira (4), com início às 10h. A palestra também contou a presença da Delegada da Polícia Civil da Delegacia da Mulher de Diadema, Renata Cruppi, que falou sobre o papel importante de fortalecer a rede de apoio da vítima e conscientizar os homens
O discurso da comandante surge uma semana após o caso de feminicídio da vendedora Cibelle Monteiro Alves, 22 anos. A funcionária da Vivara foi morta dentro do Golden Square Shopping de São Bernardo com golpe de faca pelo ex-namorado, Cassio Henrique da Silva Zampieri, 25 anos.
Durante a palestra, a comandante do 24° BPM/M de Diadema mostrou que em 2025 a polícia militar da cidade recebeu 4.861 chamados sobre violência doméstica, o que dá um total de 13 atendimentos por dia. Somente em janeiro e fevereiro de 2026, o Batalhão registrou 870 ligações, o que daria uma média ainda maior de 14 diariamente na cidade.
“Os casos recentes mostram que a violência é um ciclo. O feminicídio começa com um caminho de violência, não acontece do dia para noite e apresenta muitos sinais. Primeiro, o controle digital, onde o agressor monitora todos os passos da mulher. Depois do isolamento de amigos e familiares, que poderia ser a rede de apoio. Passando para agressões físicas demonstrando que o corpo da mulher é dele”, disse a tenente coronel Viviane.
De acordo com ela, a polícia militar tem intensificado formas que podem proteger a mulher e facilitar as denúncias, como é o caso da Cabine Lilás, serviço que oferece atendimento humanizado e feito exclusivamente por agentes femininas. “Além disso, orientamos todas as mulheres que tem medida protetiva a instalarem em seus celulares o aplicativo SOS Mulheres, que possui o botão do pânico”, comentou.
Ainda segundo a comandante, a corporação tem trabalho na divulgação da escuta sem julgamentos. “A frase que a mulher mais escuta é “não acredito que você ainda está nessa”. Não podemos tratar com julgamento e sim dizer a importância dela para a sociedade.”
Já para a Delegada da DDM de Diadema, Renata Cruppi, o fortalecimento da rede de atenção para vítima é uma necessidade para prevenção de sofrimento prolongado e mortes. “A Polícia Militar trabalha no acionamento direto e a Polícia Civil nas investigações dos casos. Só que a responsabilidade não pode ficar só na segurança pública. Então, na DDM, além da parte investigativa, acionamos a rede de atenção da mulher, fazemos com que os filhos sejam vistos também e não replicam a violência”, comentou Renata.
Conforme o discurso da delegada, os equipamentos públicos devem promover o diálogo com homens, a fim de desconstruir os traços de masculinidade tóxica. Ao final do evento, as mulheres presentes receberam um rosa branca em homenagem ao Mês da Mulher. “O que a mulher deseja é respeito, quer ser validada nas suas habilidades e competência. Ela quer ser respeitada naquilo que decidiu fazer na própria vida”, concluiu a delegada Renata Cruppi.
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