Nesta tarde Ato contra a violência às mulheres termina em caminhada até o Golden Square, onde jovem foi morta pelo ex-namorado
FOTO: Denis Maciel/DGABC

Estudantes e movimentos sociais organizaram nesta segunda-feira (2) um ato em combate à violência contra as mulheres em São Bernardo. A mobilização, convocada pelo DCE (Diretório Central dos Estudantes) da UFABC (Universidade Federal do ABC), ocorreu às 17h30 no campus da instituição, na Alameda da Universidade, e seguiu em caminhada até o Golden Square Shopping, localizado na Avenida Kennedy, no Jardim do Mar.
O protesto foi convocado após o assassinato de Cibelle Monteiro Alves, 22 anos, vítima de feminicídio na noite de 25 de fevereiro, na loja Vivara, onde trabalhava como vendedora. Segundo os organizadores, o ato cobrou por justiça no caso e também denunciou o aumento nas ocorrências de violência de gênero na região.
Os participantes foram orientados a levar velas e cartazes em memória da jovem. O manifesto contou com diversos gritos de ordem, um deles dizia: “Cibelle presente, hoje e sempre!” Os protestantes entraram no shopping, se deslocaram até o segundo andar, na praça de alimentação, mas o ato terminou em frente à loja Vivara, onde a Cibelle morreu, sendo encerrado com uma salva de palmas.
A aluna de Física da UFABC, Maria Fernanda Meneguelli, 24, falou sobre o papel da manifestação. “Era uma jovem de 22 anos, trabalhadora, alguém que poderia ser uma estudante da nossa própria instituição. Isso nos faz refletir com ainda mais urgência sobre a realidade que enfrentamos. Nosso papel é evidenciar para a sociedade que existe um vazio na garantia de segurança para as mulheres. Elas não estão seguras, não importa o espaço que ocupem: na universidade, no trabalho ou em qualquer outro ambiente. Precisamos nos posicionar e transformar essa indignação em ação.”
Fernanda falou ainda que a proteção às mulheres é insuficiente. “Temos políticas públicas, mas elas não têm sido eficazes. A própria Cibelle tinha registrado boletim de ocorrência e possuía medidas protetivas, ainda assim, foi assassinada. Isso revela que o problema é muito mais profundo. Trata-se de uma sociedade adoecida, que precisa ser confrontada em sua raiz. Precisamos falar sobre educação, sobre machismo, sobre a cultura que naturaliza a violência e silencia as mulheres. Não basta apenas criar leis, é necessário garantir que elas sejam cumpridas e, principalmente, transformar mentalidades. Hoje, eu não me sinto segura”, desabafou a estudante.
A coordenadora da Frente Regional de Combate à Violência contra a Mulher do ABC, Dedé Lovitch, 57, também destacou a importância da mobilização. “O ato vem para trazer a voz das mulheres, a indignação, a nossa revolta. A gente sabe que isso não pode mais continuar. Precisamos gritar para as autoridades pela construção de políticas públicas e pela implementação eficiente das medidas protetivas, porque o que matou a Cibelle, além da medida protetiva que não funciona e não tem fiscalização, foi o ex-companheiro dela. E isso é assustador. Só sendo mulher para entender que não estamos seguras em lugar nenhum.”
No sábado (28), centenas de moradores de São Bernardo realizaram um ato no Ginásio Poliesportivo Adib Moysés Dib, no Centro. Durante a manifestação, o prefeito de São Bernardo, Marcelo Lima (Podemos), anunciou um pacote de leis para proteção de vítimas e contra os agressores de mulheres. A iniciativa prevê que nenhum homem que foi condenado por algum tipo de crime contra mulheres poderá prestar concurso público e ser aluno da Faculdade Municipal de São Bernardo.
O CASO
Cibelle foi morta a facadas no shopping, localizado em São Bernardo. De acordo com o boletim de ocorrência registrado no Deic (Departamento Estadual de Investigações Criminais) da cidade, a Polícia Militar foi acionada inicialmente após o disparo do “botão do pânico”, diante da suspeita de assalto com reféns.
Quando os agentes chegaram ao local, encontraram a jovem já sem vida. O autor do crime permaneceu na loja e se recusou a se entregar. Ele acabou atingido por disparos efetuados pelos policiais.
Além da faca usada no ataque, o acusado portava uma arma de airsoft, réplica de arma de fogo utilizada em simulações.
O relacionamento entre os dois durou cerca de seis anos, com idas e vindas. Em abril de 2025, Cibelle decidiu encerrar definitivamente a relação. Conforme relatos registrados na ocorrência, a decisão não foi aceita por Zampieri, que teria feito ameaças caso não houvesse reconciliação.
A vítima possuía medida protetiva desde maio, a qual, segundo consta no registro policial, vinha sendo descumprida.
O investigado é Cassio Henrique da Silva Zampieri, 25. Ele foi socorrido e encaminhado ao Hospital Estadual Mário Covas, em Santo André. Após deixar a UTI (Unidade de Terapia Intensiva), nesta segunda-feira (2), foi transferido para a enfermaria, onde permanece sob custódia da Polícia Militar, com um soldado na porta do quarto.
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