Caso Golden Square Durante manifestação pelo fim da violência contra a mulher, Sandra do Leite se emocionou ao falar sobre a morte de jovem de 22 anos e defendeu o fortalecimento da rede de proteção no município
FOTO: Gabriel Rosalin/DGABC

A Secretária da Mulher de São Bernardo, Sandra do Leite, participou de uma manifestação contra o feminicídio na manhã deste sábado (28) e fez um discurso emocionado ao comentar da morte de Cibelle Monteiro Alves, 22 anos, no Golden Square Shopping. “Perdemos uma mulher. Num universo de quase 500 mil mulheres em São Bernardo, nós perdemos uma mulher”, afirmou. Segundo ela, desde a criação da Secretaria da Mulher, a gestão municipal tem trabalhado para ampliar políticas públicas de proteção.
Sandra destacou ações como a atuação da Guardiã Maria da Penha, o trabalho do CRAM (Centro de Referência e Atendimento à Mulher) e a integração com a Secretaria de Segurança. Ainda assim, reconheceu a dificuldade de impedir crimes cometidos de forma repentina. Em fevereiro, três casos de feminicídio foram registrados no Grande ABC. “Quando o agressor quer matar uma mulher, a gente não consegue evitar. Ele entrou lá sem que ninguém pudesse prever. Foi uma tragédia”, declarou.
Durante o discurso, a Secretária fez críticas contundentes para Cassio Henrique da Silva Zampieri, 25 anos, autor do crime, e afirmou que a sociedade precisa romper com a cultura de omissão diante da violência doméstica. “A gente não pode aceitar aquela frase: ‘Em briga de marido e mulher ninguém mete a colher’. Tem que meter a colher, sim”, disse, defendendo que familiares, amigos e vizinhos intervenham e denunciem situações de risco. Ela também ressaltou a importância da participação masculina no enfrentamento à violência de gênero. “Se vocês, homens, não nos ajudarem, a gente não vai sair do lugar. A maioria não é agressora, e é essa maioria que precisa nos ajudar”, afirmou.
Sandra reforçou que São Bernardo possui uma rede estruturada para atendimento às vítimas, mas apontou que o principal desafio é fazer com que as mulheres procurem ajuda. “Nós estamos preparados. A dificuldade é que essa mulher chegue até nós e acredite que podemos ajudá-la, porque nós podemos”, disse.
Em meio à emoção, a secretária relembrou experiências pessoais de violência que sofreu no passado e afirmou que isso fortalece seu compromisso com a causa. “Quem nunca passou por isso não tente compreender. Só dê a mão para ela”, declarou.
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