Princípio ativo Estoque irregular foi encontrado durante fiscalização da Delegacia do Meio Ambiente, na Rua Campos Sales, no Centro da cidade
FOTO: André Henriques/DGABC

A Polícia Civil apreendeu ontem cerca de 90 mil ampolas do princípio ativo de um medicamento utilizado para emagrecimento em farmácia de manipulação localizada na Rua Campos Sales, no Centro de Santo André. A ação foi realizada por equipes da Dicma (Delegacia de Investigações sobre Crimes Contra o Meio Ambiente), que investigam a comercialização irregular de produtos controlados.
Segundo o delegado titular da unidade, Fabio Dal Mas, a fiscalização faz parte de um trabalho do setor de produtos controlados diante do aumento expressivo da procura por medicamentos injetáveis para emagrecimento em todo o País. A quantidade encontrada chamou a atenção dos investigadores. Conforme o delegado, o volume armazenado seria suficiente para abastecer o estabelecimento por um período prolongado, sem que houvesse comprovação de demanda formal.
“Existe uma busca muito grande de prescrição desse medicamento. Passamos a fiscalizar farmácias de manipulação por causa da repercussão nacional do produto. Nesse local, encontramos uma quantidade muito acima do que seria compatível com a atividade regular da farmácia”, afirmou o delegado.
De acordo com a investigação, a farmácia não possui autorização para manter o volume de insumo apreendido. Em estabelecimentos de manipulação, a produção deve ocorrer mediante prescrição médica individualizada.
“A farmácia trabalha por demanda. O paciente apresenta a receita, o medicamento é preparado e entregue. Não se trata de um produto para manter grande estoque. Para cada caixa, deve existir uma prescrição correspondente”, explicou Dal Mas. PRISÃO Além das ampolas do princípio ativo do emagrecedor, a equipe encontrou produtos controlados vencidos no interior da farmácia. Por esse motivo, o proprietário foi autuado em flagrante. “O flagrante ocorreu pelos medicamentos vencidos. Quanto ao material apreendido, foi instaurado inquérito policial para apurar a regularidade da aquisição, da importação do insumo e da destinação dessas doses”, detalhou o delegado. Agora, a Polícia Civil investiga a cadeia completa do produto, para saber de quem foi adquirido o insumo, se houve importação regular, se houve autorização dos órgãos competentes e se o conteúdo corresponde ao que está descrito no rótulo.Parte do material foi encaminhada para perícia. O restante, que estava armazenado em geladeiras, foi lacrado e apreendido no próprio local. “Vamos periciar para verificar se o que está no rótulo é realmente o que está na ampola. Também vamos analisar notas fiscais, origem do insumo e eventuais autorizações”, afirmou Dal Mas. O delegado destacou que, neste momento, não há conclusão sobre eventual crime relacionado à comercialização das ampolas apreendidas. O proprietário da farmácia é o principal investigado e pode ser responsabilizado, caso sejam constatadas irregularidades.
CASOS DE ROUBO Segundo dados da Abrafarma (Associação Brasileira de Farmácias e Drogarias), o prejuízo causado às farmácias do Estado por roubos de canetas emagrecedoras chegou a R$ 68,97 milhões em 2025. O levantamento, realizado com as nove maiores redes do varejo farmacêutico que atuam no Estado, aponta 3.838 ocorrências registradas no ano passado, com o furto de 58.898 unidades desses medicamentos, média de 11 roubos por dia. A Capital concentrou 64% dos casos, enquanto 21% ocorreram em Santo André, São Bernardo, Campinas, Guarujá, Guarulhos, Osasco, Santos e Sorocaba. ALERTA
Recentemente, a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) fez um alerta sobre o uso indevido de medicamentos contra obesidade à base do GLP-1, popularmente conhecidos como canetas emagrecedoras. O aviso do órgão esclareceu que a utilização fora das normas pode causar efeitos adversos, no caso, a pancreatite.
LEIA MAIS:
Anvisa emite alerta sobre risco de pancreatite devido ao uso indevido de canetas para obesidade
Atenção! Os comentários do site são via Facebook. Lembre-se de que o comentário é de inteira responsabilidade do autor e não expressa a opinião do jornal. Comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros poderão ser denunciados pelos usuários e sua conta poderá ser banida.