Feminicídio Pai de Mariane pede prisão do suspeito, lembra trajetória da filha e diz que neta de 8 anos já sabe do crime
FOTO: Nario Barbosa/DGABC

O velório da técnica de enfermagem Mariane Lima Alves, 27 anos, realizado nesta quinta-feira (19) no Cemitério Vila Euclides, em São Bernardo, foi marcado por comoção, revolta e pedidos de justiça. Morta a tiro pelo ex-companheiro na casa dos pais, em Diadema, ela deixa dois filhos.
No velório, o sapateiro Maurício de Souza Alves, 56, pai da vítima, fez um apelo emocionado para que o suspeito, Bruno de Oliveira Zeni, 30, seja localizado e preso. “Eu queria tanto que prendessem o Bruno. Pelo amor de Deus, se alguém ver ele por aí, dentro de uma casa, em algum lugar, liga para a polícia. Eu estou sofrendo demais. A minha família está sofrendo. Hoje é o pior dia da minha vida”, disse.
Visivelmente abalado, ele descreveu o luto de se despedir da filha. “É uma dor insuportável. Eu não sei se eu vou aguentar. Eu perdi a minha menina”, afirmou.
Mariane foi baleada no abdômen após o ex-companheiro invadir a residência da família, no Núcleo Habitacional Nova Conquista, na noite de terça-feira (17). A mãe dela, Mariza Nascimento Lima Alves, 58, também foi atingida, mas recebeu alta médica horas depois.
O pai relembrou a personalidade da filha e destacou o espírito batalhador da jovem. “A Mariane era muito especial, uma guerreira. O que ela queria, corria atrás e conseguia. Era batalhadora demais. Só arrumou um traste”, desabafou, ao se referir ao ex-genro.
O casal manteve união estável por dez anos. Para o pai, nada justificava a violência. “Separou, separou. Vamos viver a vida. Ninguém é dono de ninguém. Só Deus pode tirar a vida de alguém”, declarou.
Ele também contou que a neta mais velha, de 8 anos, já sabe da morte da mãe. “Ela viu na televisão. Perguntou: ‘O que meu pai fez? Não era para ele fazer isso com a minha mãe’. A menina está arrasada. Agora vou ter que correr atrás de psicólogo por causa dele. Olha o que ele fez com a menina”, relatou.
Além da filha de 8 anos, Mariane deixa um menino de 2 anos.
O caso foi registrado como feminicídio consumado e tentativa de feminicídio. O suspeito, que é CAC (Colecionador, Atirador e Caçador), segue foragido.
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