Negociações Presidentes de ligas relembram a história da festividade e apresentações no Grande ABC
Nario Barbosa/DGABC

Presidentes de ligas de escolas de samba do Grande ABC negociam com as prefeituras a retomada dos desfiles competitivos. Faz uma década que as apresentações foram suspensas na região. Negociações estão mais avançadas em Santo André e Mauá, mas também acontecem em São Bernardo.
Sem desfiles, suspensos por falta de orçamento e pressão das igrejas evangélicas. o Carnaval no Grande ABC é marcado atualmente por bloquinhos de ruas. Algumas escolas de samba vão se apresentar em 2026, mas não nas avenidas e sem avaliação de jurados.
Contudo, as apresentações podem estar de volta já no ano que vem. Segundo o presidente da Liesa (Liga Independente das Escolas de Samba de Santo André) e também da Lírios de Ouro, Emerson Ceccato, há tratativas com a Prefeitura de Santo André para retornar a competição.
No próximo domingo (22), inclusive, nove escolas da cidade se apresentarão no Paço para relembrar os velhos tempos nas avenidas. “No ano passado, com muita conversa com o prefeito (Gilvan Ferreira, PSDB), foi dado o viés de a gente voltar com o Carnaval na cidade. Esse ano não tem julgamento, cada escola vai reeditar um enredo antigo com 50 a 100 componentes na pista. Esperamos que em 2027, a gente retorne com o Carnaval oficial, com uma competição e título”, afirmou Ceccato.
Desde 2016 que não há desfiles em Santo André. A história da festa na cidade é antiga. O presidente da Liesa comentou que as primeiras apresentações surgiram entre as décadas de 1930 e 1940. “Começou na frente do Theatro Carlos Gomes, onde as pessoas se concentravam e faziam manifestações culturais. Surgiram blocos do Parque das Nações, Primeiro de Maio e Aramaçan, que se apresentavam até a Oliveira Lima”, disse.
Posteriormente, foram surgindo os ranchos, agremiações mais parecidas com as atuais escolas de samba, como porta-estandarte, mestre sala e porta-bandeira e fantasias mais vistosas. Nessa época, Ocara Clube e o Panelinha ganharam notoriedade.
“Em 1978, os desfiles foram oficialmente colocados em Santo André, como molde de competição na Avenida Dom Pedro I (bairro Vila Pires). A fase áurea do Carnaval andreense foi na década de 1990, quando acontecia na Avenida Apiaí. Por noite, eram de 30 mil a 40 mil pessoas assistindo”, afirmou Ceccato.
Não é só Santo André que se mobiliza junto às autoridades para retornar as apresentações. A presidente da Uesma (União das Escolas de Samba de Mauá), Meire Terezinha da Silva, contou ao Diário que a entidade e a Prefeitura estudam a volta da competição.
Segundo a presidente, Mauá tem história na Folia. Ela lembrou que as primeiras movimentações ocorreram na década de 1950, com rodas de sambas em bairros periféricos. Também recordou a participação no Carnaval de um sambista ilustre: José Bispo Clementino dos Santos, o Jamelão (1913-2008), famoso intérprete de sambas-enredos da Mangueira, no Rio de Janeiro, esteve na cidade em 1996.
“Integrou a ala de intérprete da escola de samba Beira Rio. Foi um samba vitorioso, não deu o título, mas ficou bem colocada. Nosso Carnaval era colocado pela imprensa como o melhor da região”, resgatou Meire.
“Em 1956, temos o registro do primeiro desfile, que foi promovido pela fábrica Porcelana Real. Colocaram um aparelho de som em um carro conversível e os funcionários vieram logo atrás. Posteriormente, grupos de pessoas de times de futebol da cidade se reuniram e começaram a tocar e desfilar nas ruas. Dessa forma, houve a necessidade de disputa de uma comunidade com a outra”, completou Meire.
Ainda de acordo com ela, a constituição da Uesma ocorreu em 1989. Atualmente, existem oito escolas de samba em Mauá, sendo que o Acadêmicos de São João possui 10 títulos. De acordo com Meire, a liga e a Prefeitura estudam um retorno dos desfiles em formato de competição.
“De 1989 para cá, teve intervalos, mas os desfiles terminaram mesmo em 2015. O que a gente tem de histórico foi a falta de verba e a falta de interesse do poder público. Há uma sinalização de conversas para que comecemos a escrever o Carnaval do ano que vem, com a Secretaria de Cultura, e voltar para a competição. A proposta é na Avenida Portugal, nossa rua do samba, e no Paço”, revelou Meire.
SÃO BERNARDO
Assim como Santo André, foi por volta da década de 1970 que o desfiles tomaram as avenidas de São Bernardo. Até 1976, a competição acontecia na Rua Marechal Deodoro. “As primeiras escolas de samba da cidade surgiriam a partir da estrutura das sociedades amigos de bairros e com o estímulo do poder público municipal. O palco dos desfiles alterou-se bastante com o tempo. Passou também pelas avenidas Faria Lima, Kennedy, Robert Kennedy, Aldino Pinotti, Pavilhão Vera Cruz, Estrada Velha e Ginásio Poliesportivo”, comentou o pesquisador e analista de cultura do Centro de Memória de São Bernardo, Rodolfo Scopel.
Escolas de samba de destaque no Carnaval são-bernardense são União da Vila, do Assunção, com seis títulos, Camisa Vermelha e Branca, na Vila Tanque, campeã de quatro desfiles, além de Rosas Negras e a detentora da última taça dos desfiles no município, realizado em 2016, a Renascente de São Bernardo.
Antes da era de ouro das escolas de samba, segundo relatou o pesquisador ao Diário, a Folia em São Bernardo nas décadas de 1950 e 1960 foi marcada pelos bailes promovidos em grande salões das empresas, que se consolidavam na cidade com o crescimento econômico do Brasil.
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