Visita ao Diário Para Humberto Tobé, não há como realizar campanha em outubro sem apresentar propostas e assumir compromissos com segmento
FOTO: Denis Maciel/DGABC

A saúde mental deve ocupar papel central no debate eleitoral deste ano. A afirmação é do supervisor administrativo da Assessoria Especial de Assuntos Parlamentares e Federativos do Ministério da Saúde, Humberto Tobé, em entrevista ao Diário. Segundo o representante do governo, o tema já se impõe como prioridade nas agendas municipais e tende a ser protagonista nas campanhas.
“Onde tenho ido e percorrido no Estado de São Paulo, saúde mental vai ser o tema. Sei que tem pesquisador que aposta no tema da eleição. Para nós, que estamos no setor, e tenho acompanhado: a saúde mental vai ser um tema muito presente”, declarou. Desde abril de 2025, o Diário promove a campanha Nossa Saúde Mental, destinada a ampliar a rede regional de cuidado a esses pacientes.
Tobé ressaltou que a complexidade da política pública para esse setor exige estrutura e financiamento adequados. “Não tem como implementar uma política tão complexa, tão diversa, com públicos diferentes, sem orçamento, sem produzir conhecimento, análise de dados e métodos para atender a população”, afirmou o supervisor.
O supervisor do Ministério também chamou atenção para o impacto econômico e social do adoecimento psíquico. Segundo Humberto Tobé, o número de trabalhadores diagnosticados por CIDs (Classificação Internacional de Doenças) relacionadas à saúde mental é gigantesco, o que gera reflexos diretos nas famílias, afasta pessoas e compromete o funcionamento das empresas. “Não tem como fazer campanha eleitoral no seu bairro, na sua família, sem debater esse tema”, disse.
Para o representante da Pasta, a condução dessa agenda passa necessariamente pelo fortalecimento do SUS (Sistema Único de Saúde) e o financiamento da saúde. Nesse sentido, Tobé destacou o crescimento do protagonismo do Congresso Nacional na execução orçamentária da União. Segundo o supervisor, o processo teve início ainda no governo Dilma Rousseff (PT), foi ampliado na gestão Michel Temer (MDB) e se intensificou no período de Jair Bolsonaro (PL). “Quando assumimos o governo federal, havia uma política já colocada, com grande parte do orçamento na mão do Congresso”, afirmou.
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Tobé defendeu a importância das emendas parlamentares em apoio ao custeio da saúde, mas ponderou que é necessário qualificar a destinação das verbas. “Não estou aqui criminalizando os recursos, pelo contrário. O meu papel é fazer o parlamentar conversar com o prefeito, com o Conselho Municipal de Saúde, para criar uma rede do ganha-ganha. Então, nunca posso reclamar das emendas parlamentares”, disse.
No entanto, destacou que o debate atual precisa avançar para garantir eficiência e transparência. “Precisamos qualificar para onde vão esses recursos. Quais são os compromissos dos deputados e senadores quando empenham um recurso? A população precisa ter segurança de que aquele equipamento vai atender sua família e o parlamentar precisa ter a certeza de que valeu a pena investir”, explicou.
Segundo Tobé, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, tem orientado as áreas técnicas a oferecer programas estruturados para que as emendas venham acompanhadas de diretrizes claras da Pasta. “Quando o recurso leva o carimbo do Ministério da Saúde, começamos a ter mais qualidade. Uma parte dessas emendas volta a fortalecer a política pública nacional”, pontuou.
POLÍTICAS PÚBLICAS
Tobé afirmou que o governo federal tem trabalhado a fim de dar mais celeridade às ações previstas para este ano. De acordo com supervisor, tanto no Estado de São Paulo quanto no restante do País, há um esforço de organização administrativa para antecipar calendários e acelerar entregas.
O assessor destacou que 2026 será um “ano de colheita” para a gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), com a consolidação de obras e programas estruturantes. Detalhou que, entre março e maio, devem se intensificar anúncios e inaugurações ligadas ao PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), inclusive no Grande ABC.
Tobé ressaltou ainda a distribuição de combos para as UBSs (Unidades Básicas de Saúde) e kits de telemedicina, com foco na modernização da atenção primária. De acordo com o assessor, o governo vai priorizar também a entrega de veículos para o transporte de pacientes.
O supervisor administrativo da Assessoria Especial de Assuntos Parlamentares e Federativos do Ministério da Saúde, Humberto Tobé, afirmou, em entrevista ao Diário, que o Grande ABC é um “celeiro de políticas públicas”. A declaração ocorre após agenda na região, que incluiu reunião com prefeitos no Consórcio Intermunicipal do Grande ABC e visitas técnicas a equipamentos de saúde.
Tobé destacou as ações das cidades em gestão regional, integração de serviços e organização da rede. “As experiências que a gente tem aqui são o sonho de consumo de qualquer prefeito do interior. O Grande ABC é, sim, um celeiro de políticas públicas”, afirmou.
Ao longo de dois dias de visita à região, o representante do Ministério esteve em equipamentos de saúde de Santo André, como a base do Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência). “Quando a gente chega e vê o Samu estruturado, equipe uniformizada, veículos novos, isso mostra que o SUS (Sistema Único de Saúde) é um movimento que salva vidas. Não é só o postinho e a farmácia popular. É uma rede que impacta diretamente o cotidiano das pessoas”, afirmou.
A vinda do Humberto Tobé ocorre poucos dias após a passagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) por Mauá, quando foram anunciados investimentos e ações na área da saúde, além da entrega de 36 ambulâncias do Samu para as sete cidades.
De acordo com o supervisor, sua presença agora tem o objetivo de “arredondar e pactuar os fluxos administrativos” necessários para transformar os anúncios em entregas concretas. “Quando o presidente vocaliza uma ação do governo, na consequência você tem credenciamento, homologação de serviços, pactuação regional, levantamento de fila reprimida. É preciso estruturar tudo isso para que a política pública funcione”, explicou.
Durante reunião no colegiado de prefeitos, de acordo com o representante da Pasta, foram debatidos os caminhos para se acessar os programas federais diante do novo pacote de anúncios. Tobé destacou a importância do diálogo regionalizado e elogiou a articulação da entidade. “O primeiro ato formal do prefeito Guto (Volpi, de Ribeirão Pires), após ser anunciado presidente do Consórcio, foi uma audiência com o Ministério da Saúde. Isso mostra a dimensão e a potência da região”, disse.
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