Alerta Doença obteve notoriedade nacional após Anvisa emitir alerta sobre o risco do uso indevido das canetas emagrecedoras; são 29 óbitos
FOTO: Reprodução/EBC

O Grande ABC registrou alta de 70,5% em óbitos por pancreatite aguda em 2025. Os dados do Painel DataSUS, do Ministério da Saúde, indicaram um total de 29 mortes pela doença no ano passado, ante 17 registros em 2024.
Ainda de acordo com as estatísticas do painel, a região contabilizou uma média mensal de 57 internações em decorrência da enfermidade no ano passado. No total, as sete cidades registraram 687 casos de pancreatite em 2025. Já no período anterior, foram 695 entradas hospitalares desse tipo.
Como explica o endocrinologista e membro da SBEM (Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia), Marcio Krakauer, o pâncreas é fundamental para o funcionamento do corpo humano, visto que produz hormônios, como a insulina, responsável por manter o controle do açúcar no sangue. Além disso, o órgão ajuda na digestão.
Diante disso, a pancreatite é, justamente, uma doença que ataca essa parte da estrutura corporal. “É uma inflamação que pode ser causada por bactérias, vírus ou por outros agentes. Frequentemente é causada por cálculos (pedras) na vesícula biliar que caem no pâncreas”, explicou o especialista.
Ainda de acordo com Krakauer, o uso abusivo de álcool e entorpecentes, como maconha, cocaína e outros, pode provocar essa enfermidade por questões químicas.
Sobre os sintomas, a pancreatite causa dores de forte intensidade na região do abdômen, podendo ir para as costas. Há também febre e mal-estar, como náuseas e vômitos. “Afeta muito, porque é um órgão de difícil acesso, não tem cirurgia para melhorar. Em alguns casos, quando é muito grave, é preciso retirar o pâncreas, caso contrário não para de sangrar e o risco de mortalidade fica muito elevado”, disse Krakauer.
Um dos casos famosos foi o do cantor britânico Phil Collins, 75 anos, que enfrentou uma pancreatite em 2012, quase levando à morte.
POLÊMICA
Recentemente, a pancreatite obteve repercussão no noticiário nacional após a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) alertar sobre o uso indevido de medicamentos contra obesidade à base do GLP-1, popularmente conhecidos como canetas emagrecedoras. O aviso do órgão esclareceu que a utilização fora das normas pode causar efeitos adversos, no caso, a doença que ataca o pâncreas.
“Esses medicamentos devem ser utilizados exclusivamente conforme as indicações aprovadas em bula e sob prescrição e acompanhamento de profissional habilitado. O devido monitoramento médico é motivado justamente pelo risco de eventos adversos graves, como pancreatite aguda, que podem incluir formas necrotizantes e fatais”, comunicou.
Segundo a Anvisa, o Brasil registrou de 2020 até 7 de dezembro de 2025, 145 notificações de suspeitas de eventos adversos e seis suspeitas que resultaram em óbitos de pancreatites relacionados aos usuários desses medicamentos.
Essa preocupação fez com que a agência determinasse, em junho de 2025, que as farmácias e drogarias apenas vendessem a partir de uma receita médica apresentada pelo paciente.
O endocrinologista e membro da SBEM, Marcio Krakauer, esclareceu que os riscos estão expostos na bula. “Pessoas que já tiveram pancreatite, por exemplo, não podem usar. Não é que o remédio causa isso, o que pode acontecer é que a pessoa consuma menos água, já que diminui a sensação de sede, e isso aumenta o risco da pedra na vesícula”, comentou.
Para o médico, o uso indevido desses medicamentos passa pela falta de necessidade de perder peso e também de não ter uma indicação formal de um especialista.
Vale ressaltar que o número do DataSUS apresentado anteriormente sobre o Grande ABC não necessariamente está relacionado às canetas emagrecedoras. Dessa forma, Krakauer ressaltou que o aumento no número de óbitos na região é algo esporádico, sem uma causa identificada.
FABRICANTE
A empresa dinamarquesa do ramo farmacêutico Novo Nordisk comunicou o compromisso com a segurança dos pacientes. "Trabalhamos em estreita colaboração com autoridades e órgãos regulatórios em todo o mundo para monitorar continuamente o perfil de segurança de nossos produtos, incluindo casos de uso indevido e sem prescrição médica. Além disso, operamos canais ativos de denúncia e monitoramento global para coibir práticas irregulares e assegurar a proteção da saúde da população", relatou em nota.
Ainda de acordo com a fabricante, pancreatite aguda está incluída como uma reação adversa a medicamentos nas
bulas de todos os produtos GLP-1 RA comercializados, incluindo Ozempic, Rybelsus e Wegovy, Victoza e Saxenda.
"Os pacientes devem ser informados sobre os sintomas característicos e orientados a descontinuar o tratamento com semaglutida ou liraglutida caso haja suspeita de pancreatite, assim como sugere-se ter cautela em pacientes com histórico de pancreatite prévia", completou a empresa Novo Nordisk.
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