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Número de infrações por consumo de álcool no trânsito aumenta 75% no Grande ABC

Registros, que incluem embriaguez ao volante e recusa ao teste do bafômetro, subiram de 235 em 2024 para 404 no ano passado

11/02/2026 | 20:23
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FOTO: André Henriques (27/12/24)
FOTO: André Henriques (27/12/24) Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


As operações contra álcool no trânsito do Grande ABC registraram aumento de 75% no número de infrações. No ano passado, foram 404 violações, contra 231 em 2024. As fiscalizações são realizadas pelo Detran-SP (Departamento Estadual de Trânsito de São Paulo), com o apoio das polícias Militar, Civil, Técnico-Científica, além de órgãos municipais e rodoviários. 

O crescimento acompanha a ampliação das abordagens, que quase dobraram. Em 2025, o Detran-SP fez 59 operações e fiscalizou 15.265 veículos nas sete cidades. Já no ano anterior, o órgão abordou 8.025 em 18 ações executadas contra a alcoolemia. 

A delegada de polícia e diretora da Adepol (Associação dos Delegados de Polícia do Brasil), Raquel Gallinati, aponta que os números cresceram em decorrência do aumento da fiscalização e das punições, o que revela que o comportamento antes ficava oculto. “A legislação fechou brechas jurídicas antes exploradas e ainda existe resistência cultural ao cumprimento das normas de trânsito. Parte da população subestima o risco e a gravidade jurídica da conduta”, afirma.

DGABC

A maioria das infrações cometidas refere-se à recusa ao teste do bafômetro. Das 404 notificações realizadas nos 12 meses do ano passado, 381 (94,3%) foram registradas pelo fato de o motorista não aceitar passar pelo etilômetro. O equipamento identifica a presença de álcool no organismo, assim como sua concentração. 

Raquel esclarece que há uma falsa percepção social de que a recusa seria uma saída jurídica segura. “Inicialmente, existia forte debate jurídico baseado no princípio constitucional de que ninguém é obrigado a produzir prova contra si mesmo. Essa lógica mudou com o endurecimento da legislação de trânsito. Desde 2008, e com reforços legislativos posteriores, a recusa ao etilômetro passou a ser infração”, informa. 

Entre os condutores que realizaram o teste, 22 estavam sob efeito do álcool, na faixa até 0,33 mg, o que configura infração administrativa. Apenas um cometeu crime de trânsito por ultrapassar 0,34 mg, quantidade considerada embriaguez. 

De acordo com o Detran-SP, as três infrações são classificadas como gravíssimas. Cada uma rende multa equivalente a dez vezes do valor de tabela para essa categoria, ou seja, R$ 2.934,70. Outra consequência é a suspensão do direito de dirigir por 12 meses. O veículo é retido se não houver outro condutor habilitado que faça o teste do bafômetro e seja liberado para dirigi-lo. 

No caso do crime de trânsito, o condutor também responde a processo criminal, que pode culminar em prisão pelo período de seis meses a três anos, além da suspensão ou proibição de se obter a permissão para dirigir. 

Nos três tipos de autuações, se houver reincidência no período de um ano, a multa é aplicada em dobro, um prejuízo de R$ 5.869,40 ao motorista. Além disso, o condutor responde a processo administrativo que poderá culminar na cassação do direito de dirigir, se forem esgotados todos os meios de defesa. 

O infrator poderá voltar a dirigir somente depois de dois anos da cassação e após ser submetido ao processo de reabilitação, incluindo a realização de novos exames necessários à habilitação.

RISCOS 

A médica de Família e Comunidade, Ellen Adriani Lopes de Oliveira, explica que o álcool provoca alterações no organismo como lentidão do raciocínio e comprometimento da tomada de decisões, pois o cérebro leva mais tempo para processar informações e escolher a reação adequada.

“O risco mais imediato é a incapacidade de reagir a imprevistos. Um pedestre ou uma freada brusca tornam-se colisões inevitáveis devido ao atraso nos reflexos. A perda do julgamento crítico faz com que ele subestime riscos, exceda a velocidade e realize ultrapassagens perigosas por não calcular corretamente distâncias”, afirma a especialista, que integra a plataforma de consultas INKI. 

De acordo com a médica, o condutor alcoolizado sofre frequentemente de visão de túnel, perdendo a percepção do que acontece nas laterais da via, como o movimento de ciclistas. “Além disso, o motorista pode ter lapsos involuntários de sono de frações de segundos, o suficiente para o veículo invadir a pista contrária ou sair da estrada.”

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