Dados Foram registradas nove ocorrências em 2024 e 16 no ano passado; capitão do Corpo de Bombeiros destaca perigos do reservatório
FOTO: Celso Luiz/DGABC/Banco de Dados

O número de mortes por afogamento nos trechos da Represa Billings no Grande ABC cresceu 77% em um ano. Foram registradas nove ocorrências em 2024 e 16 no ano passado, de acordo com dados do Corpo de Bombeiros.
Além dos óbitos identificados, a corporação encontrou 36 corpos em 2025. Nesses casos, a vítima pode ter se afogado ou apenas ter sido desovada no reservatório. No ano passado, mais seis pessoas se afogaram na represa, mas sobreviveram. Em 2024, foram sete.
Uma dessas vítimas foi Alice Pereira de Alencar, 5 anos. Durante o feriado de carnaval de 2024, a menina de três anos foi se divertir na Prainha do Riacho Grande, em São Bernardo. Em um breve momento de distração dos avós, acabou se afogando, conforme relata a mãe, a empresária e moradora do município, Camilly Souza de Alencar, 23.
“Ela estava brincando com uma garrafa e pediu para encher de água. Foi na beirada e, quando meus pais perceberam que ela estava demorando, já era tarde. Quem a achou boiando foi um rapaz, que a levou para o Corpo de Bombeiros”, conta a mãe, que estava trabalhando no momento do acidente.
Camilly diz que foram sete dias de internação, dos quais cinco Alice passou na UTI (Unidade de Terapia Intensiva). “Ela engoliu bastante água, mas está bem, sem sequelas. Só com uma cicatriz no pescoço por conta do cateter que teve que usar. Também não lembra de nada”, conta a empresária.
O capitão do Corpo de Bombeiros, Alexandre Mota, ressalta a importância de manter as crianças sob vigilância ininterrupta e a uma curta distância para que seja possível acessá-las rapidamente. O bombeiro diz que a maioria dos afogamentos ocorre por imprudência, como não respeitar os avisos de áreas proibidas, nadar alcoolizado, em condições climáticas adversas ou por superestimar a capacidade de natação.
“As represas, em geral, apresentam fundo irregular e desníveis abruptos e, por isso, a profundidade pode mudar drasticamente de um ponto para outro, com buracos e declives inesperados. Não é como as piscinas, uma área controlada e de profundidade conhecida. A represa é extensa, e o acesso a locais não delimitados ou sem a presença de guarda-vidas aumenta o risco”, ressalta.
Mota destaca ainda a presença de vegetação submersa como algas, galhos e outros detritos que podem prender os banhistas, dificultando a movimentação. “Embora não tenha ondas como o mar, a represa pode apresentar correntezas fortes, especialmente próximo a afluentes, comportas ou áreas de captação de água. Em alguns pontos, a qualidade da água pode não ser adequada para banho, expondo a riscos de saúde”, acrescenta.
VERÃO
Durante o período de calor, de dezembro a março, o fluxo de pessoas na represa é maior, o que aumenta a possibilidade de acidentes. Por isso, o Corpo de Bombeiros reforça a supervisão na Prainha do Riacho Grande, área de maior movimentação.
“Para acompanhar a maior demanda e garantir a segurança dos frequentadores em áreas de maior concentração, o Corpo de Bombeiros Militar de São Paulo realiza um planejamento estratégico incluindo a contratação de GVTD (Guarda Vidas por Tempo Determinado) para atuar em conjunto com Bombeiros Militares do 8º Grupamento de Bombeiros”, esclarece o capitão Mota.
A orientação é ficar atento às placas de advertência, aos gestos, apitos e demais instruções dos guarda-vidas. “Se presenciar um afogamento, não tente resgatar a vítima se não tiver treinamento. Tente jogar algum objeto para a pessoa flutuar ou uma corda e acione imediatamente o Corpo de Bombeiros pelo telefone 193”, orienta o bombeiro.
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