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Número de podas e remoções de árvores avança em cinco municípios em um ano

Alta foi de 58% e 26%, respectivamente; especialista aponta mudanças climáticas como motivo principal, mas alerta para manejos em excesso

01/02/2026 | 08:46
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Denis Maciel/DGABC
Denis Maciel/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


O manejo da arborização urbana registrou forte crescimento no Grande ABC entre 2024 e 2025. Levantamento do Diário, com dados de cinco cidades da região, mostra que o número de podas passou de 29.581 para 46.693 no período – um acréscimo de 17.112 intervenções, o que representa alta de 58%. Os dados são de Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema e Ribeirão Pires. Mauá e Rio Grande da Serra não informaram os números. 

As remoções também apresentaram crescimento, passando de 4.519 para 5.716 – alta aproximada de 26,5%. Para Márcio de Souza Werneck, do Centro de Ciências Naturais e Humanas da UFABC (Universidade Federal do ABC), o movimento pode ter múltiplas explicações.

“Esse aumento expressivo pode indicar avanço na prevenção, já que eventos climáticos mais drásticos estão ocorrendo com maior frequência. Por outro lado, também pode revelar problemas estruturais, como a escolha inadequada de espécies para locais com muita fiação elétrica”, afirma.

DGABC

Os números mostram que o salto mais significativo foi registrado em Santo André. O município saiu de 6.714 podas em 2024 para 14.728 em 2025, mais que o dobro. Já as remoções passaram de 3.072 para 3.274.

Em São Bernardo, o ritmo também acelerou. Foram 19.825 podas em 2025, ante 14.323 no ano anterior, e as remoções de 862 para 1.575. Segundo a Prefeitura, equipes permanecem de plantão para atender ocorrências conforme a gravidade.

Diadema trilhou caminho semelhante, com as podas saltando de 2.765 para 6.253 e as remoções avançando de 205 para 331. O município informa que intensificou intervenções, sobretudo em árvores de grande porte, priorizando podas de levantamento, corretivas e preventivas, além do equilíbrio das copas para reduzir riscos de queda, especialmente em períodos de chuvas e ventos fortes.

Já São Caetano cresceu de 5.473 para 5.582 em podas e registrou aumento nas remoções, de 340 para 492. Em contrapartida, a cidade afirma ter implantado cerca de 1.264 novas árvores em 2025 e estabeleceu a meta de alcançar 2.000 plantios em 2026.

Ribeirão Pires apresentou cenário praticamente estável nas podas, com 306 registros em 2024 e 305 no ano seguinte. As remoções passaram de 40 para 44. A Prefeitura ressalta que mantém a Operação Verão Mais Seguro, voltada à preparação da estrutura municipal e à orientação da população diante de riscos associados às chuvas intensas.

Werneck pondera que é difícil determinar se os números refletem planejamento das prefeituras ou uma atuação reativa, mas alerta para a possibilidade de excesso. “A prevenção pode estar sendo feita com podas além do necessário. O ideal é que haja acompanhamento técnico para evitar danos à saúde das árvores.”

PEDIDOS E SOLUÇÕES

No bairro Suíço, em São Bernardo, moradores do condomínio dos edifícios Paraguay e Equador afirmam que aguardavam desde 2021 pela remoção de árvores consideradas de risco na Avenida Helvétia. Os cortes foram realizados apenas na última semana.

O síndico do condomínio e morador Eduardo Estrela, 49 anos, relata que a preocupação aumentava nos períodos de vento e chuva. “Eram árvores grandes, alguma delas muito próximas da rede elétrica. Nosso medo era cair, derrubar os postes e deixar todo mundo sem energia”, afirma.

O inspetor de qualidade Marco Antônio Tibães Bispo, 59, conta que uma das árvores estava visivelmente inclinada. “Era questão de tempo até que uma chuva com vento a derrubasse. Poderia atingir um carro ou alguém que passasse pela rua”, diz.

Para o pesquisador da UFABC, a poda deve ser realizada principalmente para garantir a saúde e a estabilidade das árvores. “Um manejo adequado envolve a retirada de galhos mortos, que podem cair sobre calçadas e ruas. A verificação de infecções por fungos ou cupins e a readequação dos canteiros, especialmente em espécies com raízes superficiais”, explica Werneck. 

Segundo ele, a intervenção também é indicada quando a copa cresce excessivamente e deixa a árvore mais exposta a ventos fortes, situação que aumenta o risco de quedas.

QUANDO TOCA OS FIOS

Outro ponto que chama atenção no levantamento é o volume de podas que dependem da Enel, concessionária de energia elétrica da região, por envolverem árvores próximas à fiação. Três cidades detalharam esses dados e, juntas, registraram 676 pedidos encaminhados à empresa em 2025, dos quais 321 foram atendidos, o equivalente a 47%, com 355 solicitações pendentes.

Diadema concentra a maior demanda, foram 439 pedidos, mas somente 154 resolvidos, indicando um atendimento inferior à metade das solicitações. São Caetano conta com 136 ofícios enviados e 100 atendidos. Já Santo André encaminhou 101 pedidos, com 67 confirmações de atendimento pela concessionária.

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