DIVISÃO Estrutura, já instalada, para separar a galeria do plenário teve custo superior a R$ 26 mil
FOTO: Claudinei Plaza/DGABC

A Câmara de São Caetano, comandada por Carlos Humberto Seraphim, o Dr. Seraphim (PL), cercou o plenário para afastar o público e blindar os vereadores com uma barreira de vidro. A estrutura instalada esta semana ao custo de R$ 26.380 já havia sido anunciada em junho do ano passado. Na época, o presidente do Legislativo justificou, em declaração ao Diário, que a colocação do dispositivo tinha por objetivo coibir série de protestos, bate-boca entre parlamentares e público, suspensão de sessões por desordem na galeria e para garantir a segurança das instalações e das pessoas. “Vamos colocar vidros para dividir a plateia dos vereadores. Alguém pode pular ali (no plenário) e agredi-los.”
O dispositivo, não blindado, com pouco mais de dois metros de altura e duas portas de correr nas extremidades que podem ser trancadas com chave pelo lado dentro, se soma a outros já em funcionamento na Casa, como câmeras de videomonitoramento, detector de metais e catracas com reconhecimento facial.
Além da barreira física e dos aparatos tecnológicos, a segurança no Legislativo é garantida por destacamento de GCMs (guardas-civis municipais). Ontem, o Diário esteve na Câmara e acompanhou os últimos ajustes na estrutura. Equipe de limpeza e manutenção dava os toques finais.
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Com os vereadores em recesso – os trabalhos em plenário voltam na terça-feira (3) – o público ainda não teve acesso à novidade, que tem causado divergência entre os parlamentares.
“Quando consultado, não fui favorável. Eu gosto do contato com a população. (O vidro) gera um desconforto, um atrito muito maior, do que (nós vereadores) podermos estar ali para entender as demandas. (A instalação da barreira) foi motivada por uma sequência de vereadores que querem tumultuar e que levam pessoas ao plenário para ofender e desrespeitar os parlamentares. Isso foi o que motivou a colocação”, disse Caio Salgado (PL).
“É triste ter de chegar a esse ponto. Em condições normais, essa não seria uma medida que eu apoiaria. O ideal é que a democracia funcione com diálogo, respeito e civilidade. No entanto, infelizmente, o que temos observado com o avanço de movimentos extremistas de esquerda, é a banalização de manifestações inaceitáveis, uso de baixo palavreado, ofensas pessoas e, mais grave ainda, ameaças”, opinou Américo Scucuglia (PRD).
Para Jander Lira (PSB), o vidro se faz necessário “diante dos fatos antidemocráticos que aconteceram no ano passado. A Câmara é a casa do povo, onde a democracia e o respeito devem ser sagrados.”
Bruna Biondi (Psol), apontada por colegas parlamentares em sessões com tumulto como a responsável por mobilizar manifestantes, se posicionou de forma contrária à instalação da barreira. “A Câmara de São Caetano é uma das mais antidemocráticas do Estado e a instalação desses vidros é a prova disso. Eles (vidros) dificultam a visão do público e a fiscalização do que os vereadores vão fazer a partir de agora. Dinheiro público foi gasto com isso, com uma justificativa fajuta de proteger os parlamentares.”
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