Coronavírus Região tem 363 casos e 37 óbitos; infectologista aponta para subnotificação dos diagnósticos
FOTO: Claudinei Plaza/DGABC

No ano passado, o Grande ABC registrou 363 casos de Covid-19 e 37 óbitos. Ou seja, um a cada dez contaminados não resiste à doença. Os dados são da Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo e mostram que, mesmo cinco anos após o início da vacinação, apesar de estar controlado, o coronavírus ainda mata.
“A Covid-19 nunca vai desaparecer, ela sempre vai conviver conosco. O vírus tem a capacidade de mutar com uma certa velocidade, o que faz com que ele consiga escapar do sistema de defesa, causando infecções. No entanto, a imensa maioria da população já tem anticorpos antigos para outras variantes que têm vacina. A tendência é que os casos não se assemelham nunca ao que foi em 2020 e 2021”, afirma o infectologista e consultor da SBI (Sociedade Brasileira de Infectologia), Renato Grinbaum.
Os números vêm de fato caindo ao longo dos anos. Em 2024, foram contabilizadas 736 contaminações e 98 óbitos, queda de 50,6% e 62,2%, respectivamente, em relação a 2025. Neste ano, de acordo com atualização até 23 de janeiro, houve cinco ocorrências e nenhuma morte, que ocorre, geralmente, pelo acometimento intenso do pulmão e a falência do sistema respiratório.
Em 2025, a cidade com mais registros de óbito foi Santo André, com 11, seguida de São Caetano (10), São Bernardo (6), Mauá (5), Diadema (4) e Ribeirão Pires (1). Rio Grande não teve nenhuma vítima fatal no ano passado. No Estado, foram registrados 4.981 casos e 827 mortes em 2025 e, em 2024, respectivamente, 10.025 e 1.776.
Além da diminuição das ocorrências, a mortalidade na região é consideravelmente menor que no auge da pandemia. Segundo registros do Diário a partir de dados das prefeituras da região, em 2020 as sete cidades somaram 98.824 casos e 3.475 mortes, uma mortalidade de 28,4%. No ano seguinte, em 2021, foram 173.347 contaminados, dos quais 7.077 (24,5%) vieram a óbito.
Renato Grinbaum acredita que a mortalidade de 2025 seja ainda menor que os 10% computados, porque os dados de contaminados são subnotificados. “Diria que esses números são menores ainda porque as pessoas não sentem a necessidade de realizar a testagem. São feitos os testes nos casos mais graves e, nestes, as chances de óbito são maiores.”
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VACINA
Apesar de não zerar, a drástica diminuição dos casos, assim como das mortes, é reflexo da vacinação e de um contato menor com o vírus. A imunização contra o coronavírus foi iniciada no Grande ABC em 19 de janeiro de 2021. Desde então, foram aplicadas 7.930.042 doses nas sete cidades, segundo dados do Ministério da Saúde.
Atualmente, a vacinação não é ministrada em massa e é voltada especialmente para a população de risco, que possui mais chances de desenvolver formas graves da doença. Estão incluídos neste grupo idosos, gestantes e puérperas (até 45 dias após o parto), crianças de seis meses a cinco anos, imunossuprimidos (pessoas com baixa imunidade) e portadores de doenças crônicas, como cardíacos.
A vacinação segue um calendário específico, adaptado conforme surgem novas variantes. Pessoas com imunidade baixa, idosos, portadores de doenças cardíacas ou pulmonares e gestantes têm um esquema prioritário, com postos de saúde disponíveis para aplicação das doses.
“Como essa é uma doença menos importante agora quando comparada à pandemia, hoje o esquema de vacinação é mais focado no público prioritário. Já não é uma imunização generalizada para todas as pessoas porque realmente não há uma necessidade neste sentido”, explica o infectologista.
O médico esclarece que o número de casos graves entre os vacinados é muito menor em comparação com aqueles que não são vacinados. “Você toma a vacina e pode desenvolver a doença, até porque o vírus prolifera muito rápido no trato respiratório, muito antes da capacidade do organismo despertar a defesa. No entanto, o imunizante faz com que você já tenha anticorpos e células capazes de reconhecer o vírus e evita disseminação tanto pelo pulmão quanto pela corrente sanguínea”, finaliza o médico.
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