
“Chegamos até ele (Barbosa) e o fizemos telefonar para a delegacia, onde gravamos a conversa. Ele comentou sobre sua participação e nos forneceu nomes de alguns supostos envolvidos. No entanto, não compareceu à delegacia. Com sua prisão em São Bernardo, vamos pedir ao juiz corregedor local autorização para ouvi-lo”, disse ontem Machado Filho.
Segundo o delegado, dois irmãos suspeitos de participar do assassinato do vereador já estão presos. Barbosa é o terceiro envolvido detido. Sua participação no crime foi colaborar na fuga dos executores, que usaram um Ford Ka preto com película nos vidros.
“O carro tinha sido roubado em Osasco, e os assassinos do vereador o utilizaram para fugir. Angelo (Barbosa) conseguiu placas frias para o veículo, encontrado abandonado no dia seguinte ao assassinato. As placas nos deram o caminho até ele”, explicou o delegado.
O par de placas tinha o número de série do fabricante – são dois em São Paulo – e a polícia descobriu a empresa que tinha produzido o material. “Para retirar as placas, a pessoa teve de deixar o número da identidade. Por meio desse número chegamos a uma amante do Angelo (Barbosa). Enviamos uma intimação para que ela entregasse a ele”, afirmou Machado Filho.
Barbosa, com receio de ser preso, não compareceu ao distrito de Jandira, mas ligou para o delegado. A polícia gravou o diálogo, descobriu detalhes sobre o caso que desencadearam novas investigações e a detenção de dois suspeitos. A notícia de sua prisão, anteontem, em São Bernardo, chegou rapidamente ao delegado de Jandira.
Juntamente com outros três cúmplices, numa ação atrapalhada, Barbosa acabou dominado por policiais militares do 6º Batalhão. A quadrilha tentava roubar um carregamento de cigarros da Souza Cruz, a 50 m da base da Polícia Militar, em São Bernardo. Naquele momento, o local tinha o dobro de policiais, se comparado ao número normal de guardas, em função da troca de turno.
O crime – O vereador Marcio Soares de Almeida recebeu três tiros quando chegava em casa, em Jandira, com seu Fiat Uno, por volta das 22h30. O crime, desde o início das investigações, foi tratado como execução, já que os atiradores não levaram nada de valor da vítima.
“Temos algumas hipóteses, inclusive de crime político, mas ainda não podemos revelar para não atrapalhar as apurações. Outros suspeitos permanecem foragidos e, depois de tudo resolvido, divulgaremos o que ocorreu”, disse o delegado.
De acordo com Machado Filho, o vereador era evangélico e de boa índole. “Aparentemente, nada que pudesse justificar uma execução”.
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