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O fim dos orelhões

26/01/2026 | 09:09
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 Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


A retirada dos telefones públicos até 2028 de todos os municípios do Brasil, confirmada pela Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações), é o fechamento de um ciclo. A decisão decorre do fim da concessão do Serviço Telefônico Fixo Comutado, que impunha às operadoras a manutenção dessa rede. No Grande ABC, 1.433 aparelhos ainda estão – ou deveriam estar – em operação, enquanto o País soma cerca de 38 mil unidades. A agência sustenta que a mudança permitirá redirecionamento de recursos para banda larga, fibra óptica e telefonia celular, mas a transição levanta dúvidas sobre acesso universal, sobretudo para quem depende de meios públicos para contato de voz.

Quando aposta em redes móveis, a Anatel ignora limitações ainda presentes em parte do território nacional. Há regiões rurais, áreas de floresta, comunidades ribeirinhas e trechos de rodovias onde o sinal simplesmente não chega. Em muitos desses locais, a única conexão possível ocorre via satélite, solução que exige equipamentos próprios e custos fora do alcance de parcela significativa da população. Soma-se a isso dado mais recente do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) que cita mais de 20 milhões de brasileiros sem telefone móvel para uso pessoal, seja por renda, escolha ou dificuldade com tecnologia, grupo que deverá ficar à margem quando se eliminar o serviço público.

Ao admitir a manutenção por mais três anos de cerca de 9.000 aparelhos onde a cobertura celular é falha, a própria Anatel reconhece que a realidade nacional não é homogênea. A questão central é saber se existe convicção de que operadoras privadas irão, por iniciativa própria, atender a demanda que só no dia 1º de janeiro de 2026 deixou de ser cumprida por força contratual. Comunicação é serviço de interesse público, não apenas resultado de mercado. A extinção dos orelhões pode aprofundar desigualdades e transformar a promessa de modernização em silêncio para quem ainda precisa de um telefone acessível. É preciso ficar de olho na transição para que nenhum brasileiro fique sem voz.

DGABC

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