Comunicação Concessionárias deixaram de ter a obrigação de fazer manutenção de telefones públicos neste ano
FOTO: Denis Maciel/DGABC

Criado em 1972 pela arquiteta e designer sino-brasileira Chu Ming Silveira, o orelhão se tornou um ícone urbano. Apesar do grande uso em décadas passadas, os aparelhos estão com os dias contados. A Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) confirmou o término da concessão do STFC (Serviço Telefônico Fixo Comutado), que previa manutenção obrigatória dos telefones públicos pelas operadoras telefônicas.
O Grande ABC conta com 1.433 orelhões distribuídos pelo território, conforme dados de dezembro de 2025 do painel da Anatel. Esses aparelhos antigos estão programados para retirada até 2028. Na região, todos pertencem à Telefônica, que é dona da marca comercial Vivo.
Segundo a Anatel, desde 1º de janeiro deste ano, as concessionárias já podem retirar os telefones. “Com a proximidade do término dos referidos contratos, tornou-se oportuna uma discussão mais ampla sobre o atual modelo de concessão, com o fim de buscar estimular os investimentos em redes de suporte à banda larga”, disse a agência em nota.
Para suprir as necessidades, as empresas se comprometeram a realizar ações para melhorar a infraestrutura de comunicação no País, como, por exemplo, a implantação de fibra óptica em localidades sem infraestrutura, antenas da telefonia celular, expansão da rede de telefonia celular em municípios, implantação de cabos submarinos e fluviais, conectividade em escolas públicas e construção de data centers.
De acordo com dados, em dezembro de 2025, eram 38 mil orelhões espalhados pelo País. A Anatel explicou também que cerca de 9.000 aparelhos deverão ser mantidos até 31 de dezembro de 2028 em localidades onde a cobertura da telefonia celular ainda se apresenta deficiente, como na cidade de Londrina, no Paraná.
VIVO
A empresa Vivo, responsável pela Telefônica, afirmou que o novo modelo de atuação pode beneficiar novas perspectivas. “Permitirá à Vivo direcionar investimentos para tecnologias mais relevantes para a população, como a ampliação da cobertura 4G e 5G em mais de 1.000 municípios nos próximos anos, aumentando a capacidade de rede”, confirmou.
Ainda segundo a concessionária, ao longo do ano, seguirá um cronograma baseado em critérios operacionais e de segurança para a retirada dos aparelhos não obrigatórios.
HISTÓRIAS
Como um velho companheiro na rotina das pessoas, os moradores do Grande ABC relembraram os antigos momentos com os orelhões. Um dos casos é o do morador e dono de um restaurante, localizado na Rua Renato Andreoli, em Ribeirão Pires, Everaldo Araújo, 73 anos, que possui um telefone público no seu estabelecimento há 27 anos.
“Recebíamos muitas chamadas. Aqui na frente tinha um hospital e muitos clientes vinham aqui para ligar e conversar com familiares”, comentou Araújo. Segundo ele, há seis meses o telefone parou de funcionar.
Além dele, o aposentado e também morador de Ribeirão Pires, João Roncon Neto, 76, lembrou que acionava o aparelho diariamente. “Pelo meu serviço de obra, utilizava bastante ligando para fornecedores. Primeiro era a ficha e depois passou para o cartão. Ajudava bastante quando não estava enguiçado”, brincou Neto.
Já a moradora de São Bernardo e assistente financeira, Vânia dos Santos, 56, falou que além de utilizar para conversar, também usava para fofocar. “Na época, tínhamos que pegar fila. Muitas vezes, ficávamos escutando o pessoal reclamando ou brigando no telefone e a gente ficava rindo. Às vezes, tinha brigas durante a fila por conta da demora, era muito engraçado”, comentou.
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