Esportes Titulo Ramalhão

Torcida do Santo André se mobiliza para resgatar apogeu do Brunão

Projeto criado por torcedores busca recuperar identidade visual do estádio com o uso de bandeiras

Ryan Leme
Especial para o Diário
26/01/2026 | 08:37
Compartilhar notícia
FOTO: Claudinei Plaza/DGABC
FOTO: Claudinei Plaza/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


A tentativa de devolver ao Estádio Bruno José Daniel o protagonismo que marcou uma das fases mais emblemáticas da história do Esporte Clube Santo André tem partido dos próprios torcedores da agremiação. Em meio a um cenário de resultados irregulares dentro de campo e público reduzido nos últimos anos, a torcida se organizou para resgatar a identidade das arquibancadas por meio do projeto Brunão Raiz, iniciativa que aposta na memória e no movimento coletivo para reaproximar o clube da cidade.

Criado em 2024 por torcedores ligados a projetos de preservação da história andreense o Brunão Raiz surgiu com a proposta de recuperar práticas que marcaram o estádio, especialmente nos anos 2000, período lembrado como o auge da relação entre a time e arquibancada. “Foi uma época de ouro do Santo André. A cidade abraçava a equipe, a média de público era boa e o Brunão tinha uma atmosfera muito diferente da de hoje”, relembra o produtor musical Leo Marsulo, 27 anos, um dos organizadores do projeto.

O estádio tem capacidade oficial para 15.157 torcedores, embora haja registro de que recebeu 21 mil espectadores em 11 de setembro de 1983 num empate por 0 a 0 entre Santo André e Corinthians. Na mais recente apresentação do elenco profissional no Brunão – em 18 de janeiro, na vitória por 1 a 0 contra o XV de Piracicaba, pela Série A-2 do Paulista –, o time atraiu público de 1.007 pessoas, segundo súmula da partida disponibilizada pela FPF (Federação Paulista de Futebol).

DGABC

Segundo Marsulo, a decadência não pode ser explicada apenas pelos resultados em campo. A reforma do estádio, concluída em 2021, aparece como divisor de águas para a torcida. “Depois que o estádio fechou para a reforma e voltou sem a marquise e com gramado sintético, a torcida já retornou diferente. Diminuiu em quantidade e a cidade, de maneira geral, foi se afastando.”

O bibliotecário Daniel Andrade, 43, outro organizador do projeto, cita que mudanças legais no futebol contribuíram para esse distanciamento. “Antigamente a festa tinha bandeiras de mastro, papel picado, sinalizadores. Hoje a legislação proíbe tudo isso. A arquibancada perdeu muito do seu impacto visual”, analisa. Ainda assim, ele ressalta que o Santo André mantém características que diferenciam o Brunão de arenas modernas. “A Série A-2 ainda é o futebol do povo. Aqui, apesar das limitações, ainda dá para manter algo do futebol raiz”, completa.

A primeira fase do Brunão Raiz, em 2024, apostou justamente nesse resgate. A partir de pesquisas em acervos fotográficos, o grupo reproduziu faixas e bandeiras de antigas torcidas do clube, financiadas pela venda de adesivos, que passaram a ser levadas aos jogos no Bruno Daniel. A iniciativa abriu caminho para a segunda etapa, lançada neste ano, que busca envolver o torcedor comum de forma mais direta.

Batizada de Brunão Raiz – Parte 2, a nova fase incentiva cada torcedor a levar sua própria bandeira aos jogos, respeitando regras de tamanho e identificação visual do clube. “A ideia é simples: todo mundo tem ou pode ter uma bandeira do Santo André. Se cada um levar a sua, a atmosfera muda”, explica Marsulo. Para ele, mesmo com público reduzido, a identidade visual pode ter efeito e chamar a atenção. “Às vezes o estádio não está cheio, mas o jogador entra em campo e vê o azul e o branco espalhados por todo lado. Isso aproxima a torcida do time.”

Os organizadores reconhecem que se trata de um processo gradual. A adesão, até agora, é considerada tímida, mas cresce a cada jogo. “É um projeto de longo prazo. A cultura de arquibancada não se cria de uma hora para outra. Se a cada jogo, cinco pessoas a mais levarem novas bandeiras, vamos preencher o estádio com nossas cores”, reforça Daniel Andrade. A divulgação tem ocorrido principalmente pelas redes sociais e grupos de torcedores, como forma de resgatar quem se afastou do estádio.

LEIA TAMBÉM:

Recuperação judicial pode dar futuro saudável ao Ramalhão, diz presidente

DENTRO DE CAMPO

Enquanto a torcida tenta reocupar o Brunão, o desempenho do time na Série A-2 do Paulista é instável. Com cinco rodadas disputadas, o Santo André ocupa a oitava colocação, com sete pontos, após a vitória por 1 a 0 contra a Inter de Limeira no último sábado.

Para os idealizadores, o início irregular não elimina a esperança. “O time não começou bem, é um trabalho novo, com muitos jovens, mas existe uma expectativa no projeto a longo prazo”, diz Andrade.




Comentários

Atenção! Os comentários do site são via Facebook. Lembre-se de que o comentário é de inteira responsabilidade do autor e não expressa a opinião do jornal. Comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros poderão ser denunciados pelos usuários e sua conta poderá ser banida.


;