Saúde Rede de saúde da região oferece tratamento humanizado, escolhido pela influenciadora Isabel Veloso, para doentes sem perspectiva de cura
FOTO: Divulgação/Freepik

O Grande ABC possui 474 pacientes em cuidados paliativos, nome dado ao tratamento humanizado que tem como objetivo levar conforto no tempo de vida restante a enfermos sem perspectivas de cura.
A abordagem é aplicada quando o paciente possui doenças que ameaçam a continuidade da vida, como insuficiência cardíaca, hepática e renal em estágio avançado e sem possibilidade de transplante, câncer, doenças pulmonares e problemas neurológicos degenerativos, como o Alzheimer, o Parkinson e a ELA (Esclerose Lateral Amiotrófica).
A divisão dos problemas de saúde dos pacientes em cuidados paliativos é, segundo a Secretaria de Saúde de Diadema, 41% neurológicos, 23% oncológicos, 13% respiratórios, 12% cardiológicos e 11% osteomusculares. De acordo com a Pasta de Santo André, o tempo médio de vida varia entre 37 dias e um ano, mas há pessoas que chegam a viver por muitos anos neste cenário.
Coordenadora do SAD (Serviço de Atenção Domiciliar) de Diadema, a enfermeira Ana Paula Maniero de Souza Sorce destaca que no cuidado paliativo é feito o manejo dos sintomas e a equipe permite que a enfermidade evolua naturalmente, sem acelerar ou adiar o processo de finitude. Dessa forma, a morte ocorre no seu tempo e o paciente morre com dignidade e sem dor.
“Avaliamos cada situação para montar um projeto. Tratamos dores físicas, psicológicas, espirituais e sociais. Se o paciente não está em uma fase muito avançada ou aguda, avaliamos se há estabilidade para ir para casa e a medicação é ajustada para garantir conforto no domicílio ao lado da família e uma maior qualidade de vida e, porque não, de morte”, define a enfermeira.
Há 16 anos atuando no cuidado paliativo, Ana Paula ressalta o quão gratificante é a experiência e destaca lições que trouxe para sua vida pessoal. “No fim da vida, as pessoas têm sempre os mesmos arrependimentos. Os pacientes dizem que deveriam ter brincado mais com o filho, dito mais te amo, pedido perdão. O importante é o que vivemos e as memórias criadas. Por isso, quando o paciente tem possibilidade, por uma remissão da doença ou controle dos sintomas, incentivamos que ele possa viver bons momentos e realizar os sonhos”, conta.
Foi o que fez a influenciadora digital Isabel Veloso, que morreu no dia 10, aos 19 anos. Desde os 15 ela enfrentava um linfoma de Hodgkin, tipo de câncer que afeta o sistema de defesa do organismo. Em um momento de remissão da doença, a jovem decidiu realizar sonhos no tempo de vida que ainda tinha. Viajou, casou-se, com direito a grande festejo e teve um filho. Essa intensidade resultou em julgamentos e questionamentos sobre a veracidade de seu estado de saúde na internet.
“A Isabel é uma paciente paliativa desde o dia que descobriu a doença e ela teve momentos em que a doença regrediu. Sabia dos riscos e escolheu não ficar em uma cama esperando o fim da vida. A polêmica surgiu pelo desconhecimento sobre o que é o cuidado paliativo”, afirma Ana Paula.
A médica coordenadora dos Cuidados Paliativos do Complexo de Saúde de São Bernardo, Eliane Haider, explica que ser paciente paliativo não é sinônimo de fim de vida ou morte iminente. “É senso comum associar este tipo de cuidado a uma pessoa debilitada, muito emagrecida, fragilizada e se despedindo dos entes queridos e isso não corresponde à realidade”, explica.
“É possível ser um paciente em cuidado paliativo e a pessoa continuar trabalhando, realizando as atividades domésticas cotidianas, se exercitando, vivendo a vida dentro de alguma normalidade”, acrescenta a médica.
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