Saúde Conselho realiza audiência e protocola anteprojeto em defesa da categoria na Câmara de Santo André
Presidente Sergio Cleto relata violência na Câmara Municipal (FOTO: Claudinei Plaza)

O Coren-SP (Conselho Regional de Enfermagem de São Paulo) encaminhou um anteprojeto à Câmara de Santo André visando combater a violência contra os profissionais da Enfermagem. O presidente da instituição, Sergio Cleto, afirmou que a proposta avalia políticas de prevenção, pontos de acolhimentos e sistemas de segurança com o mesmo parâmetro do botão do pânico dentro das unidades de saúde do município.
Uma audiência pública foi realizada na noite de terça-feira (20) em conjunto com representantes da Câmara, a entidade de classe e trabalhadores do setor. Um anteprojeto é uma versão preliminar para que um vereador possa fundamentá-la e depois encaminhar à votação.
De acordo com levantamento do Coren-SP, 355 profissionais de enfermagem da região relataram ter sofrido algum tipo de violência durante o expediente. A pesquisa ouviu 7.745 enfermeiros, técnicos e auxiliares entre 29 de março e 31 de maio de 2025. Ainda segundo dados da instituição, o Grande ABC possui cerca de 47 mil trabalhadores do setor.
“O intuito de uma audiência pública é, justamente, buscar soluções junto aos que governam e sociedade. Já começamos a reunião entregando um projeto para o presidente e vereador, Carlos Ferreira (MDB), para propor mudanças significativas nas políticas públicas e segurança”, comentou o presidente do Coren-SP, Sergio Cleto.
Para o gestor, a violência faz com que muitos trabalhadores saiam da função. “Os dados do Grande ABC realmente chamam atenção. Então, nos hospitais e prontos-socorros municipais, pode ser instituído um protocolo de resposta rápida como sistema que tem dado certo, que é o caso do botão do pânico. A grande maioria desses profissionais sofrem danos psicológicos e se afastam do serviço, vindo prejudicar ainda mais a sociedade e diminuindo o quadro”, afirmou.
As estatísticas da região mostram que 62,8% dos profissionais relataram violência verbal, 26,8% agressões e 4,8% violência psicológica. Em 72,7% dos casos, as agressões partiram dos pacientes e o restante dos acompanhantes.
Cleto comentou também que essa violência não é derivada pelo trabalho executado, e sim de questões estruturais da saúde brasileira. “Não estão agredindo por serem mal atendidos. Muitas vezes a violência acontece antes dos atendimento em virtude das instalações que estão precárias, com a demora de atendimento derivada da alta demanda e do quadro profissional. Ou seja, não está relacionada com assistência e sim com a infraestrutura”, reforçou.
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O presidente da Câmara Municipal de Santo André, Carlos Ferreira, afirmou que trata o assunto com prioridade. “O (ante)projeto foi recebido e o rito regimental será rigorasamente cumprido. Assim que as sessões forem retomadas em fevereiro, a proposta será encaminhada imediatamente ao Departamento Jurídico. A audiência pública é a ferramenta mais democrática que temos. O diálogo com categorias essenciais, como a Enfermagem e o Coren, é prioridade absoluta”, comentou o vereador.
A entidade da classe protocolou também propostas na Alesp (Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo) e na Câmara de Campinas e também pretende enviar ao Congresso Federal. Além da cidade andreense, o Coren-SP pretende mobilizar todas as casas legislativas do Grande ABC.
PRINCIPAIS ALVOS
De acordo com a pesquisa do Coren-SP, em 85,1% dos de violência, os alvos foram mulheres no exercício da profissão. “Infelizmente, parece que os agressores têm mais coragem e covardia contra mulheres. Essa violência está dentro da violência de gênero em geral”, concluiu Sergio Cleto.
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