Da Billings à Taiaçupeba Especialista aponta prejuízo ambiental; companhia indica captação de 4.000 litros por segundo
Um dos pontos de captação do Rio Pequeno FOTO: Divulgação/Sabesp

A Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo) iniciou, nesta quarta-feira (21), as obras da interligação entre o sistema Billings e o Alto Tietê. A intervenção tem o intuito de captar águas nos braços do Rio Pequeno, em São Bernardo, com bombeamento para a represa Taiaçupeba, em Suzano.
Com R$ 1,4 bilhão de investimento, o planejamento prepara uma tubulação de aço enterrada com aproximadamente 38,1 quilômetros de extensão. A captação prevista é de 4.000 litros por segundo.
As obras passam por quatro cidades do Grande ABC, Santo André, São Bernardo, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra, além de duas outras na Região Metropolitana de São Paulo, Suzano e Mogi das Cruzes.
De acordo com a companhia, a iniciativa é uma resposta ao desabastecimento vivido atualmente. Além disso, a Sabesp coloca a falta de chuvas como ponto da escassez de recursos hídricos. “A iniciativa integra o conjunto de ações voltadas à resiliência hídrica da Sabesp. Um programa que amplia a capacidade de resposta diante de períodos de estiagem e irregularidades das chuvas, por meio da criação novas fontes de captação e da interligação dos principais sistemas”, comunicou a empresa.
Além disso, a ampliação da integração de sistemas é um dos eixos estratégicos do Plano de Segurança Hídrica, até 2060, que tem como intuito a disponibilidade de água em toda a concessão, segundo a Sabesp.
Para o diretor de Planejamento e Projetos de Engenharia da Sabesp, Marcel Costa, a obra é estratégica e vai deixar um legado para o abastecimento. “Vivemos uma situação hídrica bem desafiadora. Precisamos aumentar a disponibilidade e aumentar a segurança do abastecimento. Analisamos oito traçados e escolhemos a mais adequada do ponto de vista ambiental direcionado para vias públicas, para minimizar qualquer tipo de dano”, falou Costa.
Em 2014 e 2015, outra obra de transposição foi feita nos braços do Rio Grande. A Sabesp explicou que a interligação foi feita como solução emergencial e temporária. À época, a interligação apresentou diversas falhas e até mesmo transbordamento de água em casas da região.
“O que vai ter agora é uma maior flexibilidade. A obra do passado foi feita de forma emergencial para cumprir o propósito na crise de 2014 e 2015. Agora, é definitivo que vai ter a tubulação dimensionada. Não vai descarregar em córregos para evitar essas situações de transbordamentos e enchentes”, reforçou o diretor.
DESCONTENTAMENTO
Apesar da empresa considerar um avanço estrutural e sem impacto, a bióloga, especialista na represa Billings e professora da USCS (Universidade Municipal de São Caetano), Marta Marcondes, afirmou que pode ter prejuízos ambientais graves. “Em 2014 e 2015, foi feita uma obra muito parecida com essa, que foi sucateada. Essa intervenção assoreou um quilômetro do braço do Rio Grande. Então, fico me perguntando o que pode acontecer no Rio Pequeno?”, comentou a especialista.
Para Marta, o estudo não atende a todos os requisitos. “O estudo foi a coisa mais absurda. Não discutiu com os conselhos, nem audiência públicas. Também tinham que falar com o Comitê do Alto Tietê. Passou por cima de todos os protocolos e foi feito apenas um relatório preliminar, sem atender nossas manifestações”, garantiu.
O diretor Marcel Costa afirmou que a obra tem o licenciamento ambiental estipulado pela Cetesb (Companhia Ambiental do Estado de São Paulo). “Temos toda licença do órgão competente. Nós precisamos ter uma atenção especial a população do entorno. A Sabesp tem uma equipe especializada passando de casa em casa para explicar o intuito.”
Outro ponto de destaque da bióloga foi que nenhuma gestão hídrica fez um planejamento de preservação de mananciais, e esse é o fator que mais deve ser levado em questão em relação à crise. “Nós que estamos no Grande ABC, vamos sofrer com isso. Onde estão os projetos de preservação? Existe desde 1977 uma lei de proteção de mananciais que não é colocada em prática. Nós temos sérias restrições por conta disso, por ninguém ter feito nada em dez anos. E a única coisa que eles pensam é pegar novas tubulações e enterrá-las Não garantem a segurança do braço”, concluiu Marta.
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